sexta-feira, 17 de junho de 2016

Santos, uma despedida


Bruna Almeida

Santos, minha querida.

Eu te deixei há três meses, fui embora de encontro a outros sonhos, projetos e coloridos. Olha só como foi/está difícil...só consegui te escrever um pouco agora. Acho só posso e devo te agradecer pelo acolhimento e pelas mudanças que me transformaram. Nossa! Foi muita transformação! Foram 10 anos!

Em você, descobri que a solidão não é sinônimo de sofrimento, e sim de liberdade. Descobri tantas pessoas que são para sempre, mesmo não estando mais na minha rotina ou até mesmo nem falando com tanta frequência assim. Algumas pessoas que eu amo foram até morar aí em você e pudemos ficar mais próximas ainda. Fiquei perto de algumas pessoas da família de sangue e de escolha. Aliás, essas de escolha são amizades verdadeiras.

Eu morei com meus primos e meu irmão e aprendi muito sobre mim e sobre eles...e eu os amo numa intensidade maior depois de você.

E as músicas que você me apresentou?! A gente dançou pra caralho em todas as baladas com as minhas melhores amigas inesquecíveis. Quanta fossa e desilusão amorosa eu vivi em você...agora a gente dá risada e se sente amadurecida, mas sempre tendo que aprender muuuuito ainda.

Eu comecei a fazer terapia aí também e pausei, por enquanto, justamente por essa nossa distância...nossa, você e a minha terapeuta presenciaram tantas metamorfoses. Eu aprendi a dançar aí e até me apresentei em um dos seus teatros...ai, eu fiquei com muita vergonha, mas foi inesquecível...principalmente pelas pessoas que a dança me trouxe.

Você tem os barzinhos que me transbordam, principalmente o Casa Velha. Obrigada pelos porres e cigarros fumados com inúmeras desculpas ou só por vontade mesmo.

Eu escolhi experiências (tem coisas que só eu e você sabemos, então SHIU! :X) que fazem parte do meu presente e futuro. Eu amo o meu passado em você, minha Santos. Minhas escolhas revelam quem eu sou.

A sua praia é de tirar o fôlego, mas, confesso que prefiro a água das praias do Guarujá...desculpe-me..

Fiz os cinco anos do meu curso de graduação aí. Eu escolhi ir pra você...eu sabia que você iria cuidar da minha pouca vivência em TUDO. Me formei com orgulho e trabalhei mais cinco anos aí...foi você que me apresentou os cavalos como parceiros no tratamento dos pacientes que sempre me cativaram mais.

É difícil não me ver em você, não me ver andando pelo Gonzaga. Sinto saudades do canal 6 e até do pensionato de freiras que morei no meu primeiro ano aí. Nossa, como eu chorei em você, como eu dei risada em você.

Em você, eu conheci o meu amor e foi junto dele que decidimos te deixar para transcender em outro lugar. Foi isso o que você me ensinou: TRANSCENDER. Você me compreendeu tão bem e, por isso, eu sempre vou voltar. Eu sou sua e você é minha.

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