sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Putz, cresci ... e agora?



Juliana Chacon

Durante a adolescência, talvez um dos nossos maiores sonhos seja “virar adulto”. Poder ter a liberdade de fazer o que bem entendemos, sem precisar da permissão de ninguém, mas nunca chegamos a pensar nos lados ruins que essa liberdade traz.

Na virada do ano de 2014, eu já sabia que aquele seria mesmo um ano diferente, tinha completado 18 anos, estava tirando minha carta e ingressaria na faculdade. Tudo parecia estar ótimo até eu me dar conta de todas as responsabilidades que viriam para mim, a começar pela própria faculdade.

Lá, eu era dona de mim, não precisa dar satisfações para ninguém. Se ficasse na aula ou não, se estava prestando atenção, ninguém se importa com isso. Os professores só querem que você entregue tudo na data e tire uma nota satisfatória. Então, um aviso no inicio do ano “dia tal, vai ter trabalho” valia para o semestre inteiro. E como tem coisa viu, perdi as contas de quantas atividades eu fiz.

Fora isso, já assinava tudo com meu nome; então, qualquer problema eu seria responsabilizada. E aí comecei a perceber que independência não é só sobre ir ou não a algum lugar, mas resolver todas as coisas sozinha.

Percebi Isso no dia que faria um exame de sangue e chamei minha mãe para me acompanhar. Ela me respondeu de uma forma tão natural: “Eu preciso ir?” Deu um medo muito grande quando pensei nisso: “Putz, agora eu cresci; logo, logo, vou ter um emprego e ficar cada vez mais autônoma, sem precisar que ninguém tome atitudes por mim”.

Claro que é bom poder ir em shows sem precisar me preocupar se vou ter permissão para isso e dirigir é uma coisa muito legal, mas fiquei lembrando de quando era pequena e meus pais me ajudavam com as lições de casa e falavam para o médico o que eu estava sentindo, quando arrumavam minha comida e o lanche da escola, e a única coisa que eu tinha que me preocupar era se chegaria a tempo de assistir ao desenho.

Eu sei que ainda não tenho nem metade das preocupações que a maioria das pessoas tem, mas é engraçado pensar que talvez, só por um momento, seria bom voltar para o tempo da escola, cinema, clube e televisão.

Obs.: Texto que nasceu do curso "Como escrever crônicas", ministrado na Universidade Católica de Santos (UNISANTOS). 

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