segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Para Zuzu Angel, um som ao saxofone


Museu de Arte de São Paulo - MASP

Maria Rita Paschalis

Há três meses eu, mais cinco professores e dois monitores fomos a São Paulo participar de um projeto cultural. Levamos 92 alunos (a maioria do Ensino Médio) para conhecerem o MASP e o Itaú Cultural, onde havia uma exposição sobre a estilista Zuzu Angel.

Nossa maior preocupação era que nada acontecesse com os alunos até chegarmos ao nosso destino, na avenida Paulista. Era um dia nublado com cara de chuva. A maioria dos alunos não conhecia aquela parte de São Paulo. Eles estavam deslumbrados com o tamanho da avenida mais famosa do Brasil, com muitos bancos, consulados, comércios em geral, o lugar escolhido para manifestações e shows também.

Antes de chegarmos na estação Brigadeiro, passamos em frente a um banco e percebi uma senhora que saia de uma agência bancária. Olhava incrédula e assustada a multidão que percorria a calçada, pensando ser um arrastão e segurava fortemente a bolsa com medo de um assalto.

Ela ficou na porta do banco e dali não saiu até que todos nós tivéssemos passado. Na hora, começamos a rir da situação, mas nos pusemos no lugar dela e creio que nós também ficaríamos receosos por não saber do que se tratava.

Acho prudente o uso de uniforme que identifica quem somos e de onde viemos. Ninguém tinha uma camiseta da escola e nem nós um crachá que identificasse que éramos professores e alunos.

Ao chegarmos na estação Brigadeiro, havia um rapaz muito alinhado trajando um terno e tocando um saxofone. Todos os alunos pararam, maravilhados com o show. Era um mundo bastante novo para muitos deles.

Um grupo ficou no prédio do Itaú Cultural e eu, com o outro grupo, e professores seguimos caminhando até o MASP. Lá, eles conheceram o vão livre, onde havia um escritor desconhecido tentando vender suas obras, falando sobre sua trajetória como escritor, até que liberaram a nossa entrada.

Para quem gosta de arte como eu, foi um espetáculo à parte. Obras que encheram nossos olhos de deslumbramento. Era interessante ouvir os comentários e as críticas dos alunos sobre as obras, aproveitando o que tinham aprendido em Arte e História na escola.

Quando saímos, eu falei a eles sobre o parque Trianon que fica em frente ao museu, um dos parques que visitei muito na minha infância.

Ocupação Zuzu Angel, no Itaú Cultural
Voltamos a caminhar para visitarmos a exposição de Zuzu Angel. Primeiro, conhecemos algumas confecções e tecidos usados por ela, máquinas de costura antiga, botões e aviamentos. Os alunos receberam orientação das monitoras sobre o material que Zuzu utilizou para confeccionar suas obras e também um retalho onde eles puderam deixar uma mensagem a ela e colocar em um painel apropriado juntamente com seus nomes.

Depois descemos para outra sala, onde algumas artistas vestidas como na época e com modelos de Zuzu, interpretavam as cartas que ela escreveu ao filho desaparecido durante a ditadura militar. Ao lado, havia um acervo com as cartas originais do filho e de Zuzu, e também relatos de toda a luta que ela viveu para tentar encontrar o filho, e depois querer resgatar o corpo dele para, ao menos como mãe, poder enterrá-lo.

Todos nós pudemos aprender que a vida muitas vezes nos reserva uma imensa lição e tenho certeza que a experiência ficará marcada por muito tempo na lembrança dos nossos alunos.

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