sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O grande baile de máscaras



Armando Cândido

Parece que nos últimos tempos os nossos políticos têm confundido Santos com Veneza. Talvez seja por culpa dos nossos canais, mas convenhamos, aqui não precisamos andar de gôndola. Quando não chove. O fato é que eles agem como se estivessem em um grande baile de máscaras ao redor de uma "fogueira das vaidades"! As cenas que têm sido protagonizadas pelos excelentíssimos seriam cômicas se não fosse trágicas.

Os políticos santistas de hoje podem, definitivamente, ser comparados às grandes personalidades do passado como Judas Iscariotes, Nero, Napoleão Bonaparte, Adolf Hitler e por aí vai. Mas triste mesmo é vermos cada vez menos Mahatmas Gandhi, Josés Bonifácio e Saturninos de Brito. Esses sim estão, a cada dia, mais raros. Verdadeiros espécimes em extinção.

E isso não é tudo: o pior que nossos políticos, nos quais já perdemos a esperança, é parte de nosso povo que me remete a trilogia vencedora de 11 Oscars “O Senhor dos Anéis”, e mais parece um exército de orcs ajoelhados diante do grande olho de Sauron. Seguem cegamente suas ordens travestidas de notícia e se indignam apenas com aquilo que o grande irmão seleciona.

Se for verdade o ditado que diz: "em terra de cego, quem tem um olho é rei", queria eu ser o mais simples dos plebeus apenas para não enxergar tanto descaso, tanto desmando. Essa fogueira das vaidades me queima os olhos mais do que sol do meio dia. Mais do que a visão, me tira a esperança, mina minhas forças, me deixando prostrado, sem reação.

Parece que não quero mais ver isso. Se já não vejo mais motivos para lutar. Talvez deva pegar pelas mãos minha afro-francesinha e refugiar-me em Veneza, pois lá, ao menos, os passeios de gôndola são muito mais românticos.

Obs.: Texto que nasceu no curso de Escrita Criativa, ministrado no Espaço Certo, em Santos. 

3 comentários:

Ciro Leonardo disse...

Os governantes são um reflexo do povo que os elege. Não adianta reclamar com o carinha que vive no mundo da lua se as pessoas que o elegeram também se sentem venezianas e escolheram o seu representante assim.
Há problemas maiores na política. A reforma no judiciário é um deles. Assim como também urge um corte de ministérios e do número de deputados.

Ciro Leonardo disse...
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Margarida Zibordi Oliveira disse...

Bom, o texto e boa reflexão. Foi traçado um paralelo de nossos políticos atuais com a simbologia das máscaras e, falando em máscaras, fala-se de Veneza!
Falando de Veneza, lembramos dos canais os quais - respeitadas as consideráveis diferenças - também temos aqui.
A crítica com criatividade!
Mandou bem, Armando!