domingo, 31 de maio de 2015

Um caranguejo para meu irmão


Marcus Vinicius Batista

Estou com insônia. Escrevo durante a madrugada porque estou preocupado com um amigo. Mais do que um amigo, ele é o irmão que eu nunca tive. Em 21 anos de amizade, ele nunca falhou comigo. Hoje, por sinal, me ajudou a resolver um problema. Veio com a solução no mesmo dia.

Meu irmão sempre esteve presente, principalmente nas horas mais complicadas e dolorosas. É claro que pôde também testemunhar as vitórias e os avanços, mas irmão é aquele que te empurra adiante na hora da crise, com atos ou com as frases certas. É para quem eu telefonei nas perdas pessoais e nas encruzilhadas profissionais.

Meu irmão se chama André Rittes. Ele é, talvez, o sujeito mais íntegro que conheço, junto com meu pai. O André me relembra a importância e cultivo de sentimentos essenciais para seguir em frente e resistir quando as derrotas se acumulam. Brincamos, muitas vezes, que vivemos num filme em andamento, com os vilões tomando a dianteira. O problema, diz ele, é que demora para chegar a reviravolta.

O André jamais apontou o dedo, no sentido moralista das palavras professorais. Ele me ensinou por atitudes, por ações, mesmo quando desconhecia que eu estava olhando, mesmo quando estava raivoso pela falta de reconhecimento ou por uma injustiça que sofrera.

Este meu irmão soube demonstrar qualidades como a lealdade, a sinceridade, o poder da confidência entre pessoas próximas. O André é o sujeito mais humilde que já conheci. É incapaz de pedir algo para si próprio, de utilizar de seu lastro profissional ou algo que o valha para trocar favores, ainda que ingênuos. André apoia e orienta porque se importa com quem o cerca. Ele pode se esconder em piadas, na irreverência, na franqueza de uma brincadeira em sala de aula, mas ele sabe valorizar e se mobiliza para dar o ombro a alguém que merece.

André é um profissional brilhante, como poucos que conheci. Ele me apoiou e me orientou quando começava como professor, há 13 anos. Um professor iniciante com experiência profissional em redações, mas com dificuldades teóricas. André fez o que raros fazem: me cedeu aulas, me passou conteúdos, me presenteou com arquivos que me permitiram sobreviver ao primeiro ano de docência.

Conheci André no jornalismo diário. Trabalhamos juntos por dois anos, na TV Tribuna, em Santos, época em que nossa amizade se estreitou. Um gigantesco editor, de texto refinado, faro para novidades jornalísticas, sensibilidade para respeitar o público, ironia para impactar colegas com decisões daquelas que dois segundos de reflexão são muito tempo.

Estou preocupado com o André porque sei o quanto ele vem sofrendo para publicar seu primeiro livro de ficção. Vejo-o sofrer com as dificuldades de ser reconhecido pelo texto brilhante que possui. Não falo agora do jornalista. Refiro-me ao escritor, que nasceu antes do editor.

Eu o convenci a retirar seus escritos da gaveta, certo de que eles merecem um livro à altura. E estou disposto a editá-lo. Não vou publicar um livro dele porque André é meu irmão. Não poderia ser desleal ou desonesto com quem reluziu sinceridade quando mostrei meus textos. Com quem foi capaz de meu dizer que eu era melhor jornalista do que ele, sem hipocrisia ou média. Com quem apontou minhas fragilidades como escritor, minhas deficiências e qualidades como cronista.

Não vou publicar um livro dele por um gesto de amizade, pura e simplesmente. Seria cínico se negasse a proximidade entre nós como um fator que pesa na balança, mas vou publicar “Os Caranguejos” porque o texto é de primeiríssima qualidade, mas de um autor que não é celebridade, não faz marketing pessoal ou exagera na dimensão de seus feitos.

O problema é que não consigo lançar esse livro sozinho. Não tenho recursos financeiros para isso. Minha editora está no começo da estrada e depende de campanhas de financiamento coletivo (crowdfunding), na maioria das vezes, para colocar a literatura na rua.

Escrevo este texto porque preciso de ajuda. Preciso que você, que chegou até aqui nesta leitura, confie em mim, certo de que, ao apoiar o trabalho do André, receberá um livro que pode ser lido sem receios.

Criamos uma campanha, cujas doações variam entre R$ 15 e R$ 500. Este valor mais alto é para empresas, mas permite contribuições de pessoas físicas. No entanto, o que peço é que invista no livro Os Caranguejos, que custa R$ 35. Para existir, o livro precisa ser adquirido na pré-venda. Quanto mais próximos da meta, mais exemplares poderei imprimir.

Peço seu apoio, seu auxílio. Compartilhe o link da campanha, converse com seus amigos e parentes e me permita te lembrar diariamente, neste espaço de rede social, o quanto o André merece ter um livro de ficção publicado. Convença as pessoas assim como tento convencer você!

Tenho certeza de que viverei outras noites de insônia por causa do meu irmão André Rittes. Só espero que por preocupações distintas, minhas como editor, em relação ao autor.

Assim, poderei entregar ao André o que ele conquistou por méritos: o direito de estar sentado, atrás de uma mesa, autografando exemplares que seus leitores – podem apostar!!! – não se arrependerão de ter comprado, seja por antecipação, seja no dia do lançamento.

Perdoe-me, André, por publicar este depoimento sem te consultar.

Muito obrigado a todos!

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