quarta-feira, 1 de abril de 2015

Amigos e o vício do café




Cícero Luiz*

Quatro da tarde. Discretamente deixo minha escrivaninha. Um aceno de cabeça e dois companheiros de sala me acompanham. O destino é o Café que fica na esquina. Vai começar mais uma reunião informal de quase todos os dias.

Os pedidos raramente mudam: um puro, um com leite e o terceiro com uma “coroa” de espuma. Nunca consegui definir se um vício nos move ou simplesmente a necessidade do “break” no meio da tarde. O fato é que todos os assuntos são permitidos nessa roda, menos os relacionados ao trabalho.

Essa ligação com o café vem de longe. Ainda me lembro dos meus seis anos de idade, quando minha mãe me levava a Santos para algumas compras ou a passeio (ainda não existiam shoppings com seus corredores assépticos). O cheiro da torrefação invadia as ruas do Centro. Naquela época, meu café era acompanhado por leite, pois se ingerido puro faria “mal aos nervos” das crianças como eu.

A adolescência com o primeiro emprego me lançou em um novo patamar. Fui admitido nas rodas de café junto com os funcionários mais velhos. Era uma espécie de mascote no meio dos adultos. As malandragens, fofocas, discussões e aventuras (verdadeiras ou não) eram divididas entre todos democraticamente.

Mais maduro, busquei voos mais altos. Provei cappuccinos, cafés especiais e até café gelado. Descobri que aquele copinho com água gaseificada que alguns lugares oferecem serve para “limpar” as papilas gustativas, permitindo assim uma melhor degustação.

Para mim, não importa o momento do dia, se estamos sós ou muito bem acompanhados, fatos importantes sempre envolvem um café.

Obs.: 14º texto a partir do curso "Como escrever crônicas".

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