domingo, 22 de março de 2015

Qual é a minha praça?


Centro Histórico de Itanhaém
Betty Watanabe*

Cair da tarde de 1º de março de 2015. Já se passou muito tempo; tempo de brincar de pegador, de esconde-esconde, numa das muitas praças de Itanhaém. A Praça Narciso de Andrade que, junto com a Praça Carlos Botelho, formam o chamado "Centro Histórico", onde se contempla a Igreja Matriz de Sant' Anna, o casario e a Casa de Câmara e Cadeia.

A Casa possui dois pavimentos; em cima, a Câmara de Vereadores, a primeira no Brasil, e embaixo a Cadeia Pública. Quando eu era criança, minha mãe não me deixava olhar para aquele lado, muito menos para as janelas altas e gradeadas, preservadas até hoje. Como era uma criança curiosa e sapeca, eu sempre espiava e, na minha imaginação fértil, escutava os murmúrios dos presos.

Atualmente, esse prédio abriga o Museu Nossa Senhora da Conceição. Essa praça é o mais antigo local da cidade, que ficou e calou fundo em minha alma, tantas as lembranças e recordações. A praça sofreu várias intervenções ao longo do tempo, mas a que me entristeceu foi a retirada da fonte luminosa. Era a minha alegria, tal os sonhos que aquelas águas coloridas misteriosamente fluíam em mim e nunca deixavam de molhar as mãozinhas sorrateiramente, pois era proibido. 

Museu Nossa Senhora da Conceição
E as árvores frondosas, que serviam de esconderijo nas brincadeiras? Mais tarde, elas serviam de sombra quando eu ia até a praça para ler ou apenas ali ficar e admirar os que ali passavam, pois minha casa ficava em frente.

Modernizada e reflorestada, a praça ainda guarda aquele ar charmoso e romântico, de infância ali passada, lembranças de correrias e gritarias em volta da fonte, os mistérios do Beco de Santana, o homem que ali andava sem um braço assustando as crianças que por lá brincavam, paqueras de adolescência e outros tantos segredos. De cochichos ... fofocas.

Praça Narciso de Andrade 
Muitas vezes, ainda me acomodo em seus bancos, para contemplar suas belezas, as pessoas que - a passos largos - atravessam a praça de um lado para outro na hora do almoço, casais de namorados, turistas procurando o melhor ângulo para fotografarem e as crianças, correndo atrás dos pombos.

Penso que muitos amigos, que na época brincaram nela, também sentem um pouco de saudade da "praça de outrora".

Obs.: 8º texto a partir do curso "Como escrever crônicas."

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