terça-feira, 17 de março de 2015

O parmesão rejeitado

Pizza tradicional ou do século XXI?
Ana Maria Marins*  

Eu sou do tempo em que pizza era de tomate e queijo. Com alguma diversificação, apareciam o presunto, a lingüiça calabresa, cebola, azeitonas.

Massa fina ou massa grossa. Forno a lenha ou a gás eram os determinantes da escolha dos clientes. As pizzas tinham poucos ingredientes e fidelidade às suas origens.

Entretanto, desde que os raios gourmetizadores as atingiram... o céu é o limite: rúculas, abobrinhas, alcachofras, escarolas, queijo de cabra, mussarela de búfala, carne seca, presunto de Parma, peperoni, shitake, shimeshi, alface, bacon, banana, brigadeiro invadiram o território. Chefs estudam, pesquisam e se dedicam a harmonizar sabores para conquistar o paladar dos consumidores sedentos por novas experiências gastronômicas.

Qualquer pizzaria tem um cardápio de uns 80 tipos e ainda há aquelas que abrem a possibilidade do cliente personalizar a sua. Tanta democracia, tanta possibilidade de escolha não é suficiente para deter o sujeito “chato”.

Uma vítima dos consumidores indecisos
Tem uma coisa que me deixa perplexa: a pessoa escolhe a pizza de abobrinha com parmesão e pede para tirar o parmesão. Escolhe a pizza de calabresa com cebola, mas sem cebola. Fico pensando que, se tem 79 pizzas no cardápio sem parmesão, porque o cara pálida pede justamente aquela que tem parmesão sendo que não gosta do dito cujo. Será que é para medir forças com o pobre chef que consumiu neurônios para chegar à perfeita combinação de abobrinha com parmesão? Será que é para provar que de médico, louco e pizzaiolo todo mundo tem um pouco?

Então, companheiro, é o seguinte: antes de fazer sua escolha, veja se existe na casa a opção “monte a sua pizza com os ingredientes de sua escolha”. Caso não exista essa alternativa, pense que o cardápio foi criado por profissionais que se dedicam e estudam para te oferecer as melhores combinações. Entre tantas opções, deve haver ao menos uma que te agrade, mas nunca - nunca mesmo - peça para mudar a receita do chef. Tá?

Obs.: 4º texto da série que nasceu do curso "Como escrever crônicas", realizado em Santos (SP). 

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