segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Professora faz campanha para publicar livro infantojuvenil


A professora Ana Rosa Zuffo esperou 11 anos, mas agora está próxima de publicar o primeiro livro. “Vermelha é a cor da esperança” é um livro infantojuvenil que nasceu em 2003. Desde então, Ana Rosa escreveu outros textos, entre contos, poesias e fábulas, mas nunca conseguiu publicá-los. 

Para realizar seu sonho, a escritora iniciou, em novembro, uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding), dentro do site Kickante. Em 49 dias, ela alcançou 77% da meta, estabelecida no valor de R$ 5.500. Até o momento, Ana Rosa recebeu apoio de 70 pessoas, que adquiriram cerca de 200 exemplares da obra. A campanha acaba em duas semanas. Ela criou, inclusive, uma página do livro no Facebook, que possui cerca de 330 seguidores. (ver link no final do texto)

“Vermelha é a cor da esperança” conta a história de uma rosa, que sonha em se libertar do jardim onde vive. A flor crê que este é o pedido mais valioso que poderia ter, até conhecer uma menina chamada Mariana. A obra, dividida em sete capítulos, possui oito ilustrações, criadas por Isabela Silva, que também preparou a capa e a contracapa.

O livro, que pode ser adotado por escolas, trabalha valores tão caros nos dias atuais, como generosidade e solidariedade. “Acredito, acima de tudo, que a literatura é sinônimo de liberdade. A reflexão e as ideias precisam ser divididas, degustadas em conjunto. Nada melhor que as escolas, as crianças, os amigos e os leitores para que a história deste livro seja compartilhada”, explica a escritora. 



A autora – Ana Rosa Zuffo tem 43 anos e é uma leitora compulsiva. Ela mora no bairro do Campo Grande, em Santos. Tem uma companheira, a Pucca Serena, uma cachorrinha shitzu, de 6 anos. Ana se formou em Pedagogia e possui pós-graduação em Psicopedagogia e Administração Escolar. Ela trabalha na Prefeitura de Santos há 23 anos.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Amor precioso até o fim


Beth Soares*


Ontem foi um dia de adeus. Mas não foi um dia triste, apesar da chuva fina que chorou durante horas sem parar. Uma grande mulher partiu.

Há menos de um mês Eguimar completou 61 anos. Quando liguei para lhe dar os parabéns, ela estava feliz, embora confessasse estar com muitas dores por causa do avanço da doença. Ainda sim, ouviu com paciência e carinho minha voz eufórica.

Eu estava agitada porque queria descrever para ela todas as emoções da apresentação do meu trabalho de conclusão de curso: um livro-reportagem escrito a quatro mãos, em parceria com a agora jornalista, Jessika Nobre. Nele, contamos um pouco da bela história de vida de Eguimar Mendes, uma carioca corajosa que, depois de superar um mar de dificuldades, ainda teve que encarar um câncer.

Jessika e eu aguardávamos a melhora de Eguimar, para levarmos o exemplar do livro reservado a ela, justamente porque não pôde comparecer à apresentação, devido aos problemas de saúde. Nossa personagem disse que se redimiria dessa ausência preparando um almoço especial para nós. A morte, um dos eventos da vida, não permitiria.

Ontem fui acordada pelo toque do celular. Era Jessika. Quando ouvi a voz dela, ouvi também a de Eguimar. A de Jessika falava em meus ouvidos, enquanto a de Eguimar vibrava em algum lugar na minha alma. E antes que Jessika pudesse concluir a frase, depois de me preparar com um “tenho uma notícia ruim para te dar...” Eguimar, com seu jeitinho meigo e carinhoso, já havia me contado: eu parti.

Em um segundo, meu contato direto com aquela mulher que aprendi a respeitar e admirar profundamente, me deu uma tranquilidade, uma paz, que até então eu não havia experimentado em nenhuma vivência diante da morte de alguém querido.

Preparei-me para ver sua figura pela última vez. No caminho, fui rememorando nossas conversas, suas frases marcantes, seus gestos, a vida que descreveu com tanta intensidade.




Ana Paula, uma das filhas de Eguimar, me recebeu com um olhar sereno e um abraço forte, que eu retribuí com afeto. Eu estava tão grata por elas terem compartilhado comigo aquela história, e por me deixarem fazer parte dela. Não sei se consegui, em algum momento, deixar isso claro para elas. Nem sempre as palavras são leais e alcançam a profundidade dos meus sentimentos, embora eu me esforce bastante.

Alexandre e Leonardo, também filhos de Eguimar, me receberam com um aperto de mão afetuoso que logo virou abraço. Exalavam paz de espírito. Alexandre lamentou não haver conseguido dar seu depoimento para o livro-reportagem, mas decidiu fazer isso naquele instante.

Entre as belíssimas palavras com as quais me presenteou naqueles minutos de conversa, estas me encantaram pela profundidade por trás do óbvio aparente. “Minha mãe me ensinou milhares de lições, mas uma considero a mais importante: o amor não depende de dinheiro, de saúde ou de escolaridade. Ele basta, por si só. E minha mãe era PhD no que se refere ao amor”.

Eguimar estava linda. Rodeada por margaridas, que Alexandre escolheu sem saber que era assim que ela queria. E eu disse a ele que tinha acertado na escolha, porque ela me falou, durante uma de nossas longas conversas, que em sua partida não queria crisântemos. Nem choro. E assim foi. Todos estavam mergulhados numa atmosfera delicada de paz. Só havia saudade. E amor.

O silêncio me fez pensar no samba que certamente Eguimar estava levando para o outro plano, como prometeu uma vez em tom de brincadeira: “do lado de lá vou fazer uma festa! Até São Pedro vai querer saber quem é essa negona, quando eu chegar fazendo bagunça. E eu vou responder: sou eu, Eguimar, carioca de Jacarepaguá!”.

Sorri intimamente ao imaginar a cena. A chuva parou. Impossível não se render ao sorriso da Preciosa Eguimar.


* Texto publicado, originalmente, no blog Poesia Cotidiana, em 14 de janeiro de 2013.