sexta-feira, 4 de abril de 2014

Par de olhos a mais




Zuleica Maria de O.A. Batista

Onde você colocará esses olhos? Para que os utilizará? Que mudanças comportamentais aconteceriam?

Desculpe-me, agradeço, mas prefiro ficar com meus olhos originais, mesmo estando bichados. Tenho miopia no direito e estigmatismo no esquerdo. Razão pela qual uso óculos.

Se me permitirem, gostaria de repassar esse par de olhos para uma pessoa que se encontra numa escuridão total. Com uma deficiência visual gritante e está precisando urgentemente de mais olhos para enxergar melhor a realidade atual.

Aliás, nem sei se isso é cegueira, ignorância ou interesse próprio, retrato da atual situação política brasileira.

Quero repassar esse par de olhos para o (então) ministro da Educação Fernando Haddad, que cegamente autorizou a distribuição do livro didático “Por uma vida Melhor” a meio milhão de alunos de escolas públicas. No livro, tem um capítulo intitulado “Falar é diferente de escrever”.

Com esta cegueira total, ele está prestando um desserviço à educação, tentando desqualificar as regras gramaticais da nossa língua portuguesa, emburrecendo cada vez mais os estudantes pouco predispostos ao estudo da gramática.

É humilhante que nossos jovens brasileiros estejam sendo expostos a esse tipo de lixo. Com tantos analfabetos por esses confins do Brasil, é uma estupidez ensinar aos nossos jovens que é certo falar “nós pega o peixe” e que podem falar “nós vai” ou “os livro...” com o verbo no singular, sem nenhuma concordância verbal. Simplesmente justificando que é uma “norma popular”. E que quando alguém é discriminado por falar errado, estamos cometendo “um preconceito lingüístico”.

Discordo. Não sou professora de português nem de gramática e cometo erros ao falar e escrever, mas defendo um ensino de qualidade para os brasileiros, para que futuramente não tenhamos um presidente falando “menas” – em vez de menos.

Abaixo qualquer preconceito. Ninguém tem o direito de zombar de outro porque ele não conhece as regras gramaticais – ao contrário, deve ajudá-lo a encontrar os meios de aprender corretamente.

Para falar deste jeito, ninguém precisa de escola. O mais indicado seria poupar o desperdício do dinheiro público, nosso suado dinheirinho honesto fechar as escolas e o Ministério da Educação.

31/05/2011

P.S.: O livro discute as variações do idioma, da norma culta à linguagem oral. O assunto é polêmico às décadas no meio acadêmico e entre os professores de Língua Portuguesa. Como sugestão de leitura, indico o livro "Preconceito Linguístico", de Marcos Bagno. (Marcus Vinicius Batista)

Nenhum comentário: