domingo, 30 de março de 2014

Música é emoção


Zuleica Maria O.A.Batista

Costumo, dizer que música é igual a “carrapicho”: quando gruda, custa para sair. Assim, acontece com certas músicas que ficam martelando em nossa cabeça que, às vezes, chegam a incomodar. Em compensação, tem outras que adoramos cantar, assoviar e nos traz lembranças maravilhosas. É quando precisamos nos lembrar, recordar para não esquecer.

Conheço várias pessoas que tem uma música que marcou um momento, período ou a vida toda em suas existências. Comigo não é diferente. Ao longo dos meus 67 anos, tem uma música que me acompanha.

Por essa razão, resolvi falar de uma música que aprendi na infância e que até hoje é muito especial para mim e toda minha família por vários motivos.

Primeiro, porque quando criança e na adolescência, minha amada e querida mãe assoviava para mim. Parênteses: nunca ouvi minha mãe cantar, só assoviar. Tenho gravado em minha mente até hoje aquele sonoro assovio.

Depois, bem mais tarde, já mulher feita, em momentos de aconchego e muito carinho durante meu namoro com meu atual marido, eu a cantava para ele no romantismo só.

Casamos, e a música continuou presente em nossas vidas. Vieram os filhos e eu a cantava para eles, lembrando minha infância. E, atualmente, ainda emocionada, canto para meus netos, recordando para não esquecer.

Além dos motivos acima citados, tem um episódio “sui generis” com esta música, que marcou mais ainda minha vida familiar.

Por ocasião dos preparativos do meu casamento, meu noivo e eu fomos até a Igreja marcar a data e escolher as músicas para a cerimônia. Sabe aquele repertório de músicas para a entrada do noivo, padrinhos, daminhas, marcha nupcial da noiva, benção das alianças e saída? Então, escolhemos todas, detalhadamente, com a ajuda da organista e cantora da Igreja. Ótimo!!!

Ótimo, se para minha surpresa, no dia do casamento na hora de minha entrada a Marcha/ Nupcial escolhida – (Clarins de Roma) não tivesse sido trocada por uma Cantiga Popular. É isso mesmo,... Cantiga Popular.

Meu noivo voltou à Igreja escondido de mim e fez a troca.

Com as pernas bambas, entrei olhando para ele lá no altar e consegui chegar ao ponto máximo de minhas emoções. Ficou registrado ali, naquele momento especial e com aquela música também especial para nós, que nossa união estava consolidada. Não precisava de padre e nem testemunhas.

Para os convidados ali presentes, pareceu que foi uma escolha peculiar, mas para nós ela trazia nossa marca. Portanto, música é emoção, é preciso lembrar, recordar e não esquecer. A música é...

Se Essa Rua Fosse Minha

Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar

Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração

Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem

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