segunda-feira, 17 de março de 2014

Manequim humano


Ilustração: Antonio Segura Donat

Zuleica Maria de O. A.Batista

Faz tempo, não lembro o dia, mas me recordo que era mês de abril. Logo cedo, lendo o jornal, me deparei com uma nota, que informava que todos os cinemas de Santos exibiriam filmes brasileiros a R$ 2. Telefonei para uma amiga, comentei sobre a promoção, e então resolvemos aproveitar o preço acessível. Pelo telefone mesmo, fizemos um roteiro com três filmes que gostaríamos de assistir (uma sessão após a outra) e combinamos de nos encontrar no shopping.

Naquela tarde, arrumei-me bem devagar, sem pressa. Olhei-me no espelho, verificando se o colar e os brincos escolhidos combinavam com minha camiseta, dei uma retocada no batom e, por último, coloquei minha aliança.

Como sempre faço antes de sair de casa, fechei janelas e cortinas. Fazendo isso, percebi que armava chuva. Por precaução, coloquei o guarda-chuva na bolsa e lá fui eu ao encontro de minha amiga.

Cheguei ao shopping antes dela. Na tentativa de deixar o tempo passar, resolvi dar uma volta. Na porta de uma loja de lingerie, havia uma pequena aglomeração. Muito curiosa, logo parei, para observar melhor. O motivo de toda aquela “muvuca” era um manequim humano na vitrine.

Aquele manequim humano ali exposto chamava a atenção de todos que passavam. Fiquei em dúvida se era real. Quis ver mais de perto. Coloquei meus óculos de perto para enxergar melhor. Olhei, observei e constatei ser realmente um ser humano. E o que mais me chamou a atenção foram seus cabelos louros/mechados. Lindos!

Ela usava uma lingerie lilás maravilhosa!!! Distrai-me com todo aquele ti-ti-ti que esqueci completamente da minha amiga e dos filmes que pretendia assistir. Quando olhei para o relógio e vi as horas, sai correndo em direção às bilheterias.

Na correria e muito afobada, esbarrei em um jovem que carregava uma mochila. Nossa!!! Espalharam-se caderno, estojo, caneta, apagador e muitos outros pertences dele pelo chão. No meio da confusão, eu e ele, em silêncio, começamos a catar os objetos. No final, mil pedidos de desculpas.

Depois do vexame e com a situação já contornada, consegui chegar às bilheterias e lá estava minha amiga me esperando. Compramos os ingressos e entramos na sala de apresentação. Ufa! Ainda bem que não tinha começado a sessão.

Já sentada e relaxada na confortável cadeirada sala do cinema, resolvi descansar meus pés. Tirei os sapatos, pois meu joanete estava doendo muito.

Terminado o filme, minha amiga e eu fomos para outra sessão e depois mais uma, a última. Conseguimos, assim, assistir aos três filmes programados. Ah! Como é bom ir ao cinema.

Quando saímos, as ruas estavam alagadas, tinha chovido muito. Nós duas, ali dentro do shopping, nem percebemos o temporal. Aquela tarde teria sido bem melhor se não fossem os transtornos ocorridos nesse resumo de uma história verdadeira, mas recheada de ficção.

Abril/2011

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