sexta-feira, 28 de março de 2014

Ler: difícil ou apenas desafiador?




Zuleica Maria de O.A.Batista

Estou sentada aqui diante do computador, e acabo de repetir o ritual de sempre: ligar o computador e o ar-condicionado. Apesar de estarmos na primavera, hoje está um dia muito quente. Está um calor sufocante.

Não tem ninguém por perto, exceto minha calopcita ali na gaiola. E, com isto, me veio à memória uma frase que mamãe costumava dizer e que não sei de onde ela a tirou, mas que dizia o seguinte: “passarinho na gaiola não canta, reclama”.

Aproveito para deixar registrado aqui que minha calopcita não canta, mas assobia. Acreditem ou não, ela assobia a primeira estrofe do Hino Nacional Brasileiro (Ouviram do Ipiranga às margens plácidas...) e ainda faz fiu-fiu!

Por que escrevo? Porque o professor Hélio Alves, na Universidade Aberta da Terceira Idade (UATI), sugeriu que escrevêssemos um texto, que ficará à disposição na biblioteca da faculdade.

Tentarei dar uma forma coerente, clara, verdadeira e, se possível, inteligente ao texto. Tentarei aguçar a curiosidade de cada um, que diz respeito à iniciação e ao prazer da leitura.


Fui alfabetizada aos sete anos. Na minha infância, nunca tive a oportunidade de ler um livro. Não tenho na memória as professoras incentivando a leitura na escola. Talvez por morar em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, onde nem biblioteca existia. Naquela época, lá também não havia televisão, cinema, shopping e livrarias.

Quando era muito pequena e ainda não sabia ler, lembro que as famílias se sentavam à calçada enquanto a criançada da vizinhança brincava pela rua. Lembro também de brincar no quintal subindo em árvores e muitas vezes brincando com brinquedos feitos por mim. Penso que naquela época o livro não encaixaria como instrumento de lazer.

Vim me interessar e descobrir o prazer pela leitura depois dos meus 16 anos, quando estava cursando o segundo ano ginasial, já morando aqui em Santos. A partir daí, virou costume. Continuo sendo uma leitora apaixonada. Adoro ler e sempre tenho comigo um livro.

Tenho em minha casa livros, revistas e jornais espalhados por diversos cômodos para serem lidos sem pressa, fora os já lidos que estão na estante para eu reler ou para compartilhar com os amigos. E só empresto meus livros para quem eu tenho certeza que os devolve. 



Sou muito apegada aos meus livros. Há muitos dos quais não conseguiria me separar; por isso, não consigo fazer uma limpeza. Com isso, as estantes ficaram cheias. Alguns são especiais, mas outros já cumpriram seus destinos: foram lidos.

Confesso que, muitas vezes entretida na leitura, me perco no tempo. Deixo de fazer minhas obrigações e, na maioria das vezes, cometo o ato falho de atrasar para meus compromissos. É viciante. Na realidade, sou dependente da leitura. Ainda tem uma particularidade: mania de ler vários livros ao mesmo tempo. Quando perco o interesse por um, pego outro e assim vou revezando.

Não faço escolha ou tenho preferência por esta ou aquela leitura. Leio tudo que cai às mãos. Mas, atualmente, a escolha das minhas leituras está focada especialmente em textos que me levam à autorreflexão e inspiração para a mudança de hábitos pessoais.

Sinto que esse tipo de leitura me torna capaz de gerenciar melhor os pensamentos e, quando necessário, ajuda a mudar o roteiro de minha vida. Faz parte dos ganhos, pois costumo viajar pelos livros.




No meu dia a dia, se não consigo ler algo, sinto um grande vazio. A leitura me mantém alimentada como se fosse uma sopa de letrinhas. (Já li isto em algum lugar). Sempre incentivei meus filhos Marcus Vinicius e Catarina a ler, e consegui passar esse hábito para eles.

Desde pequeninos, comprava revistinhas, depois livrinhos apropriados à idade. Eles herdaram o hábito da leitura e assim é hoje com minha neta Mariana e certamente será também com o Vinicius.

Num gesto simples, leio para eles para despertar desde cedo o gosto pela leitura. Vale à pena esse incentivo, pois os benefícios da leitura são enormes, eles se identificam com os personagens e situações nos livros.

Esta paixão pela leitura trouxe-me não apenas novos conhecimentos, mas também transformou minha vida. Neste mundo tão acelerado e com tanta tecnologia, lamento não ter tempo para ler tudo o que desejo. Ando lendo pouco ultimamente. A pilha se acumula. Preciso encomendar mais prateleiras.

Direciono e sugiro a você que conseguiu chegar até aqui lendo este texto simplesmente por curiosidade, a mudar o roteiro e introduzir diariamente pequenas leituras em sua vida. Comece com algo do seu interesse e se deixe escravizar com outras, outras e outras leituras. Podem parecer atitudes meramente repetitivas, mas servirão para levar o pensamento para uma nova direção. 




Experimente, você vai se surpreender com a ajuda que a leitura pode lhe prestar. Isto não é teoria, digo por experiência própria. À medida que mudamos hábitos e procuramos interesse à leitura, vamos nos surpreendendo com novos conhecimentos. Cada livro lido é uma experiência.

Quando aceitar e colocar em seu cotidiano o desafio de se beneficiar com a leitura, vá em frente, mesmo que outras pessoas, de seu convívio ou não, possam duvidar desse interesse, não importa. Importa é que você com o propósito de mudar seu projeto de vida, dará um significado singular à sua vida do ponto de vista construtivo. A leitura lhe trará retornos surpreendentes e gratificantes.

Convido você, leitor, a testar na leitura um novo jeito de viver e tirar suas próprias conclusões. Na leitura, você enxergará o mundo com outros olhos e terá coragem, por exemplo, de aceitar a diversidade, melhorando relacionamentos pessoais e profissionais e contribuindo para beneficiar até mesmo o outro que o incomoda.

Ao terminar a leitura deste texto, desejo que você descubra e adquira o gosto pela leitura e também espero que você veja nela a oportunidade de crescimento. Isso eleva o grau de consciência, aguça a sensibilidade, permite agir com base em melhores escolhas, conhecer e se identificar com os personagens e situações. Traz também aprendizados para sua própria história, além de aumentar o repertório cultural. 




Arrume coragem e disposição para mudar sua mentalidade e abandone as zonas de conforto do seu dia a dia. Procure buscar novos caminhos, essenciais para te manter vivo e produtivo em todos os sentidos. Dê-lhe essa chance linda para viver e conhecer.

Quero agradeço seu interesse, mas meus comentários, minhas sugestões não surtirão efeitos sem a preciosa aceitação de sua parte. Você, perspicaz que é, certamente concluirá que as pessoas erram, porque ainda não acertaram, é apenas uma questão de tempo. Como disse Cora Coralina, “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende quando ensina.”

14/11/2011

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