quinta-feira, 6 de março de 2014

Eu e eu mesma


Se me permitem uma observação inicial, Dona Zuleica escreveu o texto abaixo quando acabara de ingressar na Universidade Aberta da Terceira Idade, na Universidade Católica de Santos. Ela se formou no final de 2012 e continuou no curso de Extensão. Tive o (estranho) prazer de dar aulas a ela por um ano e meio, além de estar ao seu lado quando recebeu o diploma. 

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Santos, 10 de fevereiro de 2011.

Querida Zuleica, 

Carinhosamente usarei “Vovó Zuzu”, pois é assim que você gosta de ser chamada. 

Estou sentada aqui diante do computador, e acabo de repetir o ritual de sempre: ligar o computador e o ar-condicionado. Está um calor sufocante. Não tem ninguém por perto, exceto minha calopcita ali na gaiola. 

Por que escrevo? Porque Lourdes e Sonia, minhas professoras de Oficina de Criatividade, me deram como tarefa de casa escrever uma carta para mim mesma. 

Tentarei fazer um tête-à-tête comigo mesma.

“Vovó Zuzu”, nesses últimos meses tenho andado muito preocupada com você. Principalmente com tudo o que ocorreu e lhe deixou um pouco fora do eixo. Tenho visto você chorando pelos cantos, muito desanimada, vivendo em silêncio a dor da perda, (momentos fortes), e enfrentando situações difíceis. 

Sei que muitas vezes a vida não nos dá escolha, levamos bordoadas de todos os lados. Mas temos que pegar esse limão de vida e fazer uma limonada. Às vezes, exageramos a dose e mela demais, ou então fica meio azedinha, o que não podemos é não fazer nada e apenas reclamar! 

Entendo essa sua revolta positiva, mas complicada e perigosa é esta sua acomodação. Mas como você é uma bruxinha danada e com esse seu jeitinho mineiro, sei que você vai tomar uma atitude e sair da INÉRCIA e alguém bem melhor vai surgir desses atuais escombros! 

Sei também que você estava determinada a isto. Então arruma CORAGEM e disposição para mudar a sua mentalidade e abandonar as "zonas de conforto" do dia-a-dia. Vá buscar novos caminhos, essenciais para te manter viva e produtiva em todos os sentidos. Você precisa sair com firmeza da realidade tradicional rumo ao enfrentamento da superação pessoal, a fim de tornar uma pessoa mais feliz. 

Abaixo qualquer preconceito. Você precisa abandonar esse pensamento negativo com relação a fazer uma Faculdade da Terceira Idade. Achar que “isso é coisa de velho” e jogar sua velhice lá para frente. 

Embora ainda esteja insegura e frágil você precisa fazer a UATI (Universidade Aberta da Terceira Idade). Lá você vai ocupar a mente, terá estímulos, compromissos e resultados que vão preencher as lacunas que ora podem estar ocupadas com "aqueles depósitos de lixo que foi se acumulando em sua mente". Vai fazer bem para o corpo e para alma. 

Você irá cruzar com outras pessoas em seu novo caminho, fazer amigos e aprender coisas novas que, certamente, trará retornos surpreendentes e gratificantes. Adquirir conhecimentos não dói. Dói é a INÈRCIA total, dessa Deus nos livre para sempre! Amém... Não desejo a ninguém! 

Nossa! Iniciei esta carta há sete dias. Ufa! Consegui terminar. 

Fui escrevendo aos pouquinhos, um dia de cada vez e o calor continua insuportável.

Querida “Vovó Zuzu”, precisamos sentar mais vezes e falar muito, muito. Não me abandone, não desista de mim! Ame-me quando eu menos merecer, porque certamente será quando eu mais preciso! 

E, para encerrar, vou citar uma frase do Albert Einstein que sintetiza o que escrevi acima. 

"A mente que se abre a uma nova idéia, jamais volta ao seu tamanho original"

Um beijo grande, 

Zuleica (Vovó Zuzu) 

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