domingo, 28 de outubro de 2012

Palmeiras caindo ...



Detesto a ideia de testemunhar o rebaixamento do Palmeiras. Por experiência, sei o que é ver o time do coração cair. Mais do que isso, senti, com outros torcedores, o calvário de carregar a cruz por várias semanas, na esperança de ser perdoado pelos deuses do futebol, mas terminar pregado no objeto que arrastei impregnado de dor pelas feridas abertas.

Engana-se, leitor, se tive um surto de solidariedade ou de pena pelo Palmeiras. Solidariedade entre rivais não existe. Existem interesses. E pena sempre me pareceu um sentimento arrogante que – por mais paradoxal que pareça – não se encaixa diante da agonia do adversário, ainda mais se ele se afundou sozinho. Arrogância, pelas leis do futebol, é permitida, mas somente dentro de campo, assim mesmo quando a vitória está garantida e o tabu, preservado. O cachorro morto sempre pode dar um último suspiro e te morder.

Como torcedor do maior rival, acredito que um grande clube não sobrevive sem um grande adversário. Flamengo sem Fluminense? Santos sem Corinthians? Grêmio sem Internacional? Real Madrid sem Barcelona? Porto sem Benfica? Vale até no periférico futebol escocês. Imagine como ficou o Celtic sem o Glasgow Rangers, fechado por falência múltipla de órgãos financeiros.

Necessitar do outro como rival é o que mantém os times inteiros como imagens de glórias, sem que o espelho seja fragmentado em múltiplos pedaços e revele os pecados mais heréticos da caricatura. Esta necessidade permeia todos os clubes, de quaisquer níveis. O Sport Recife sem Náutico ou Santa Cruz? Guarani sem Ponte Preta? Botafogo sem Comercial, em Ribeirão Preto? Portuguesa Santista sem Jabaquara, pouco importa se ambos se beijam na quarta divisão do Campeonato Paulista?

Pouco importa se os clubes representam rascunhos do passado. O peso das camisas, a tradição dos craques e dos brucutus de outras eras, os jogos de muitos gols, em solo enlameado e sob chuva torrencial, as goleadas e as viradas sobre o arqui-inimigo. Até as sagas da fundação integram o kit-saudade.

Clássico não olha para a tabela de classificação nem escolhe palco, escalações ou torneio. Até em campeonato de botão de bairro, a rivalidade incinera o racionalismo e a intelectualidade.

A dependência mútua entre rivais vale para qualquer esporte. Forja ídolos. Esculpe mitos. Desenha estatísticas. Escreve o glamour. Pinta o passado em forma de nostalgia. O que seria de Ayrton Senna sem Alain Prost? E vice-versa? O que seria de Roger Federer sem Rafael Nadal? Andre Agassi sem Pete Sampras? Mohammed Ali sem George Foreman? Paula sem Hortência?

O Palmeiras não pode ser rebaixado. Sabemos que a doença corrói o clube há vários anos, com a negligência de vários setores e gestões. Torço, honestamente, para que a bola perdoe o Palmeiras e a violência que seus jogadores cometeram com ela nos últimos anos. Mas, principalmente, que a bola pense nos torcedores – muitos deles devotados como beatos em porta de igreja. Eles não merecem mais feridas abertas na alma, diante da irresponsabilidade de quem não consegue levantar a cabeça, tamanha obsessão pelo próprio umbigo e pelos próprios bolsos.

São-paulinos, santistas e, principalmente, corintianos precisam dos palmeirenses. Ainda mais quando o time deles é o pior dos quatro. Saco de pancadas ou não, os clássicos não sobrevivem sem Palmeiras. A vida sempre será mais divertida com o velho Palestra entre nós.
 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A mão estendida

Mara Menezes* 

Inês é uma senhora que chegou há alguns meses à república onde estou morando temporariamente. Semblante triste, meia-idade com aparência de muito mais, divorciada, sozinha na vida. Menciona uma irmã e uma filha casada com quem nunca a ouvi conversar. Não tem celular nem facebook. Subempregada, fuma excessivamente e essa semana embebedou-se até cair.

O trecho de caminhada a partir da esquina da avenida Conselheiro Nébias pela rua Sete de Setembro rumo ao mercado e à estação de travessia de catraias que leva ao distrito de Vicente de Carvalho, do outro lado do canal, pode levar uns bons minutos de alerta. Nada de introspecção nesses momentos.

A jornada demanda atenção, pois, além de ser uma rua movimentada de tráfego, pessoas percorrem as calçadas apressadamente o que pode custar uma trombada de frente com alguém vindo à direção oposta pela mesma calçada. São estudantes universitários, trabalhadores, comerciantes, entregadores e vendedores locais, mendigos, muitos malandros – a julgar pelo gingado do caminhar, os olhares, e as gírias do palavreado – e bêbados, que passam seus tempos por ali nos bares de esquina ou simplesmente jogados pelo passeio.

Essa semana, voltando do distrito de Vicente de Carvalho, parei na padaria Voga para comprar uns pãezinhos, como de costume. À porta da saída estava assentada uma senhora pedinte. Rosto inchado, vermelho, próprio de quem bebe todas há muitos anos, vestida em trapos e aparentemente com muita dor, refletida nos olhos, semicerrados e suplicantes, com a mão estendida a uma outra, de pé, também pedinte.

Nesse momento, a norma é olhar para o outro lado. Recordei uma foto que circula pelas redes sociais em que um executivo passa pela rua e sua própria sombra lhe segura pela cabeça e a desvia para o outro lado para que ele não veja o mendigo jogado na calçada dois passos à frente.

Enquanto eu queria voltar e perguntar o que estava acontecendo, minhas pernas cheias de vida própria continuaram caminhando, foram seguindo e a distância aumentando. Olhei para trás, queria voltar, mas lá na frente vi que já vinha o ônibus 10 e minhas pernas correram. Antes disso, ainda pude ouvir, fracamente, algo que a pedinte de pé disse à outra: “Pois é, não vai dar... é cada um por si e Deus por todos.”

Voltei à república e lá estava Inês, a mulher triste, fumando um cigarro atrás do outro, tossia sem parar e observei que ela não estava longe de um destino como aquela outra à entrada da padaria. Sentei-me ao seu lado e tivemos uma longa conversa.

*Mara Menezes é estudante de Jornalismo da Universidade Santa Cecília (UNISANTA), em Santos/SP.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Confissões de um torcedor

Por Gustavo Franco*

Sou um torcedor do Santos Futebol Clube, daqueles que quase atingem o fanatismo. Acima de tudo, sou um apaixonado por futebol. Acompanho desde jogos casados contra solteiros ou ainda jogos de várzea em campos que mais parecem um pasto, até as grandes finais.

Em 2011, o Santos participou da Copa Libertadores da América e pude comparecer em grande parte dos jogos do meu time na competição. Fui a todos na Vila Belmiro e Pacaembu e até mesmo em partidas no Chile, Paraguai e Uruguai.

O jogo que mais me marcou foi a primeira final contra o Peñarol, do Uruguai, em Montevidéu. O clima de rivalidade e tensão explica apenas parcialmente o que foi esse momento. A torcida do Santos foi recebida com as “boas vindas” de uma chuva de pedras e pedaços de ferro ou madeira, arremessados pela torcida uruguaia.

Alguns torcedores santistas ficaram feridos. É por essas e outras que muitos preferem não acompanhar o futebol, isso é um exemplo de quanto um ser humano pode agir violentamente por uma simples partida de futebol.

Por trás desse esporte há também a artimanha política do pão e circo, mas não ligo. O futebol rompe as barreiras da minha razão e me leva sem resistência à classe dos alienados e ignorantes do povo brasileiro que assistem futebol.

Felizmente, na partida de volta contra os uruguaios, dessa vez no Brasil, o Santos soube devolver na bola as agressões no primeiro jogo. Com uma incontestável vitória, conquistou o titulo de campeão da Copa Libertadores da América 2011.

Após o apito final do árbitro, lá estava esse apaixonado santista comemorando em estado de êxtase um titulo tão aguardado pela nação ”santástica”. Mal havia passado a euforia da conquista e já me programava para a próxima grande competição que o Santos disputaria. Tratava-se do Mundial Interclubes que aconteceria no Japão.

O principal adversário era o fantástico time do Barcelona, considerado um dos melhores que o mundo já viu. Mesmo sabendo que dificilmente sairíamos campeões do Japão, resolvi investir nessa passagem. Convidei um primo para ir comigo. Ele logo se animou com a ideia e topou de primeira. Depois de muita burocracia, conseguimos regularizar todos os trâmites necessários para embarcar para o Japão, como o passaporte e o visto de entrada com permanência de uma semana para turismo no país nipônico.

Após alguns meses de espera, chegara o grande dia da viagem. Foram 24 horas de vôo. Na chegada, o Japão se mostrou um país com um povo extremamente educado que, por mais que não falassem bem inglês, eram solícitos com os turistas.

Por mais que o resultado do campeonato tenha sido negativo para o Santos, o futebol deixou explícito que é capaz de unir culturas e povos e trazer grande aprendizado e conhecimento para as pessoas, um esporte que é capaz de entreter, divertir e vencer grandes distâncias culturais.

*Gustavo Franco é estudante de Jornalismo da Universidade Santa Cecília (UNISANTA), em Santos/SP.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A crônica da primeira crônica


Por Jessica Bitencourt*

— Você precisa parar de escrever ouvindo música.

— É impossível se concentrar nas duas coisas ao mesmo tempo. Você não presta atenção no que está ouvindo nem na matéria que está fazendo.

— Qualquer dia desses, vai acabar colocando coisa errada nos seus textos.

A bronca veio numa quarta-feira, enquanto Nando Reis imperava no meu fone de ouvido e eu produzia o texto do quadro Dicas de Cultura, que vai ao ar todas as quintas, na Primeira FM, em São Vicente. O motivo: eu comecei a cantar a música. Em voz baixa, mas o momento silencioso da redação fazia com que o meu ruído se transformasse num show particular, que ninguém havia pedido para assistir.

Os autores da bronca: minha chefe e meu namorado. Ambos em mesas à frente da minha, que fica estrategicamente (ou não) situada no canto esquerdo, ao fundo da sala. Travaram um debate sobre o assunto, cada um contando as experiências frustradas com a combinação “texto e música”, que iam das dores de cabeça ao não entendimento da letra da canção.

Eu prestava atenção por tabela, para engano deles. Já acumulava quatro funções, quando uma quinta se uniu ao enredo. A lembrança de que a minha primeira crônica saiu enquanto eu ouvia a faixa três de um álbum do Skank, que, mais tarde, veio a se tornar o meu preferido. Mal sabiam eles, debochei.

Recordo-me que a professora de redação havia pedido um texto, uma daquelas atividades que acrescentam uns pontinhos na média. E como a preguiça é minha principal característica desde pequena, ficou para a véspera da entrega. Eu não era tão pequena assim, já tinha uns 13 ou 14 anos. E, naquele momento, várias folhas de fichário amassadas em cima da cama. Nada me vinha à cabeça.

Resolvi abrir a janela. Meus pais brigavam quando eu abria a janela de noite, por causa dos mosquitos, mas eu gostava de observar a luz da rua. Da rua mesmo, porque não tinha nem lua naquela noite. Comportamento típico de adolescente romântica. E o álbum Cosmotron, o mais recente do Skank na época, foi o escolhido para me fazer companhia, já que eu estava triste e não conseguia escrever.

Tinha chorado por causa de um menino do colégio, um desses amores não correspondidos que a gente vive. Eu tive vários, mas o personagem em questão foi a paixonite que durou mais tempo. Fiquei girando na cadeira do computador, e olhando a rua. E numa dessas voltas, a dita cuja começou a tocar no som da minha tia.

Formato Mínimo é uma poesia sobre um amor que dura apenas uma noite, e foi ela que inspirou naquilo que, eu não sabia, seria a minha primeira crônica, e despertaria minha paixão pela escrita. O texto ganhou nota dez, e ter escrito com um dicionário, daqueles bem grandes, do lado. As palavras difíceis impressionaram a professora.

E foi aí que começou uma afinidade entre a música e os meus textos, não só as crônicas. Em qualquer lugar, abrir o editor de texto no computador é sinônimo direto de abrir o player, ou vídeos da internet, ou conectar os fones no celular. Preciso do som para pensar, e as letras me trazem mensagens despretensiosas quando menos espero.

Cheguei a essa conclusão em meio ao tricô que rolava na redação. Já sem os fones, ambos dispararam as frases que citei no começo diretamente para mim. Não retruquei, apenas dei de ombros. Achei melhor voltar o objeto ao seu lugar e continuei escrevendo, cantando e ouvindo o som do Nando.

* Jessica Bitencourt é estudante de Jornalismo da Universidade Santa Cecília (UNISANTA), em Santos (SP).

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Promessas e decepções


Por Aline Maracaipe*

Não sei você, leitor, mas eu entro em pânico quando me fazem a famosa pergunta: você já escolheu o seu candidato à prefeito? Não sei realmente o que responder.

São tantos candidatos, uns até conhecidos, outros que particularmente nunca vi, outros que parecem ter saído do circo, ou hospício, devido às propostas absurdas que prometem à população.

Um dos assuntos mais abordados e inevitavelmente discutidos, além da novela das nove, são as eleições. O assunto das rodas de discussão, seja nos ônibus, na rua, no ambiente de trabalho, escolas, faculdades não poderia ser outro se não as eleições, as promessas, as pesquisas eleitorais e os candidatos.

Estou muito confusa. É uma salada de candidatos à prefeito e a vereador, imagino como a população deve estar. Como a população vai avaliar as propostas? Vão conseguir avaliar as propostas de fato? Saberão cobrar depois as promessas feitas e não cumpridas?

“É preciso muito cuidado ao escolher seu candidato.” A frase, dita em comerciais eleitorais, é fácil. Difícil é escolher um candidato digno de voto. Estou mentalmente cansada de tantos jingles, panfletos irritantes com promessas absurdas e inclusive a falta de propostas realmente relevantes para a sociedade.

Não vou falar em caráter, pois não tenho o direito e nem a intenção de sugerir a falta dele por parte de algumas pessoas, porém são propostas demais, promessas demais e caras de pau demais em um curto período de tempo. Isso cansa! Todo lugar que eu frequento há sempre alguém defendendo candidato A, pois é mais honesto, competente que o B e assim vai. Ninguém chega a um consenso e o eleitor que não for esperto o bastante para observar, apurar e descobrir fatos relevantes da vida do candidato ficará para sempre perdido em meio a tantos picaretas.

* Aline Maracaipe é estudante de Jornalismo da Universidade Santa Cecília (UNISANTA).

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A espera de um mundo sem preconceito


Por Juliana Duarte*

Estava no ponto de ônibus, à noite, voltando da Universidade e, enquanto esperava o transporte, sentei no banco. Ao meu lado, uma mulher estava com algumas sacolas e bolsas em sua mão, despreocupada com elas.

Alguns minutos depois, um garoto magricela e negro chegou ao ponto. Assim que o menino se aproximou, a mulher abraçou suas sacolas, protegendo-as em uma ação automática. E eu não fui a única a perceber sua cautela.

— Ei, tia! – disse o menino – Não sou ladrão, não.

Vendo que a reação havia sido imprópria, a mulher respondeu:

— E quem te chamou de ladrão, garoto?

O menino deu alguns passos para se distanciar da mulher, dizendo aos quatro ventos que a “tia” havia presumido que ele iria lhe roubar só por ser negro.

No momento, aquela cena me atingiu de uma forma inexplicável. Nós sabemos que o preconceito racial existe. A TV, os jornais e a internet sempre nos mostram casos desse crime. Porém, quando acontece ali, na nossa frente, o problema ganha uma proporção bem maior.

Na teoria, todos são contra o racismo. Todos, também, dizem ser livres de preconceitos. Mas, em um dia qualquer, em uma rua qualquer, ao ver um negro se aproximar, seguramos a bolsa com cautela, protegendo-a com toda a nossa força. Quando é um branco, não damos tanta importância. Afinal, o que mais esperamos dele? No máximo, uma piadinha sem graça ou uma olhar diferente.

E, entre tantas pessoas naquele ponto, o único que intimidou a mulher foi o garoto magro e negro. Um garoto que, talvez, estivesse o dia inteiro batalhando por um lugar neste mundo. Por um mundo onde pudesse perambular à noite, pegar seu ônibus e ir para sua casa sem passar por um constrangimento desses.

Mas é claro que nós temos nossos próprios preconceitos. Ou é com o garoto que escuta funk no ônibus, ou é com a menina que usa saia curta na escola. Ou até aquele ritmo musical que todos escutam. Porém, ouvir funk, usar saia curta ou gostar de uma música são escolhas. Ser negro, não. E o racismo está tão presente em nossa vida que, às vezes, nem percebemos.

Os negros têm sua importância para nossa história: eles sofreram ao longo dos anos com a tortura feita pelos brancos. E, em pleno século XXI, ainda tem uma mulher se agarrando às suas sacolas, em algum ponto de ônibus por aí, com medo de um garoto negro e magricela tirar-lhe o que seus braços e sua mente tentam proteger.

* Juliana Duarte é aluna de Jornalismo da Universidade Santa Cecília (UNISANTA), em Santos/SP.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O desapego virou "corujice"


Por Elaine Brazão*

Mateus e Lucas, para muitos, seguidores de Deus, são os nomes de duas pestes que aguento em casa. Tenho cinco irmãos, mas confesso que os que dão mais trabalho são esses dois, justo os que tem o nome de santo. Ainda mais agora que estão na fase de namoradinha na escola (um dia ainda mato essas periguetes!), querendo ir ao cinema com os coleguinhas, voltar tarde pra casa... Para piorar, um toca violão e o outro teclado. Ou seja: “as mina pira”, vejo que minha dor de cabeça está só começando!

Mateus é o maior, tem 11 anos, mas parece que tem 9; às vezes, 13. Lucas tem 9, mas parece que tem 12; às vezes, 15 anos. Esse último tem o dom de irritar qualquer pessoa em dois minutos. É daqueles que você está conversando e ele chega cantando “We are the Champions”, crente que é tão bom quanto Fred Mercury.

Mateus sempre quer impressionar pela inteligência. Sempre tira conclusão sobre os fatos que aconteceram no Brasil e no mundo. Um dia até falou sobre a cotação do dólar. Mas quando tira essa casca, mostra-se uma criança nata - tão ou mais infantil que o Lucas – começa a pular, gritar, coloca fantasia, põe rock bem pesado e usa o inglês a la Joel Santana.

Lembro-me deles pequenos, quando davam beijo na irmã e na mãe antes de dormir, perguntavam se a roupa que escolheram estava combinando. Hoje, os vejo se enchendo de perfume, desodorante e saindo para casa dos amigos para fazer “trabalho”. Sem contar que agora os almoços também mudaram, estão acompanhados de arrotos e gases entre um copo ou outro de Coca.

O Discovery Kids foi substituído pelo History, na tentativa de passar a imagem de que estão grandes, triste ilusão, pois nem a legenda conseguem ler a tempo. Mas é aquela coisa: eles fingem que entendem e nós fingimos que acreditamos.

Não quero nem ver quando chegarem aos 17, 18... Espero estar trabalhando para não ter tempo de saber das histórias.

É, tá aí uma coisa que nunca pensei que seria: aquela irmã chata que sofre com o crescimento dos mais novos, que luta para que eles sejam os eternos bebês da casa. Classifico como inadmissível a ideia, de um dia aparecem, com namoradas ou às cinco da manhã pós-balada. Quanto a isso, tenho apenas um desejo: que eles cheguem logo aos 50, provavelmente estarão casados, com filhos e a fase “bobeira” já terá passado. Ilusão pode e deve andar lado a lado de uma irmã, não?

* Elaine Brazão é estudante de Jornalismo da Universidade Santa Cecília (UNISANTA), em Santos (SP).