quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sobe? Desce?

Por Priscila Lerne e Keila Santana*

“Essas meninas acham que só porque pagam a faculdade pode me tratar assim”, foi o que escutamos de uma ascensorista. Estávamos colando um trabalho na porta do elevador no térreo, enquanto o outro grupo colava no elevador do lado, mas no quinto andar. Como não podia parar os dois elevadores, a ascensorista nos pediu para esperá-los terminar; assim, o elevador que eles usavam voltaria a funcionar e o que nós usávamos pararia.

Foi então que a ascensorista se ofereceu para ir até o quinto andar e pedir para o outro grupo avisar quando terminassem. De volta ao térreo, a ascensorista fez o desabafo.

Diante disso, começamos a observar como os “tiozinhos do elevador” (chamados assim por muitos universitários) são tratados diariamente no local de trabalho.

Poucas são as pessoas que dizem “boa noite”, “obrigado”, e algumas nem se prestam a dizer o número do andar. Os tratam como “homens e mulheres invisíveis”, como se na mensalidade já estivesse incluso o “serviço”. E quando o ascensorista faz alguma brincadeira, eles riem, como se o funcionário não tivesse o direito de falar com eles.

São pessoas medíocres, egocêntricas e ignorantes, que acham que o dinheiro vale mais que um simples “obrigado”.

Durante a confusão, nossa única solução foi: uma de nós ficaria no elevador, se passando por ascensorista por um dia, enquanto as outras colavam o trabalho. Nessa história de ascensorista por um dia, pudemos não apenas observar como as pessoas os tratam, mas sentir o que eles sentem.

Vale a frase de Karl Kraus: “Os alunos comem o que os professores digerem”. Assim como os pais são os exemplos para os filhos, os professores são os exemplos para os alunos, e muitos professores, ao entrarem no elevador, além de me ignorar, foram rudes ao saberem que o elevador não podia descer para o térreo.

Podemos dizer, não apenas como observadoras, que – além do fato de sermos ignoradas, lamentamos ver “caras feias” por terem que descer um andar de escada.

* Texto produzido na Oficina de Crônica, na disciplina Leitura e Produção de Textos, no curso de Produção Multimídia (UNISANTA)

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