quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A máfia palmeirense

Dia de eleição é sintomático. Os otimistas falam em exercício da democracia. Os realistas defendem o discurso do balanço. Os pessimistas viram as costas para um processo que julgam falido.

No Palmeiras, nenhuma das três alternativas parecem apontar o caminho para a mudança, a curto prazo. O cheiro é de mais do mesmo, de confusões encenadas para perpetuar o final previsível. A falta de consenso se dá pelas migalhas do poder, e não pelo anseio de derrubar paredes e abrir outras portas.

O Palmeiras ficou para trás. É a quarta força do Estado. Nos últimos cinco anos, apenas um Campeonato Paulista na estante de troféus. Não revelou jogador que apareça nas listas especulativas da seleção brasileira. Não construiu novos ídolos, exceto o atacante Kléber e o meia chileno Valdívia, ambos longe de serem unanimidades.

O clube contratou 81 jogadores no mesmo período, a maioria para engordar as contas bancárias de empresários. Apostou em medalhões para comandante, como Luxemburgo, Muricy Ramalho e Felipão, e em novatos como Antônio Carlos e Jorginho.

As dívidas envergonham. O Palmeiras mendiga empréstimos bancários. Como ponto positivo, a arena que saiu do papel. Mas a que preço?

Em dia de eleição, prefiro perguntar: por que o Palmeiras não vence? É apenas uma teoria, mas apostaria que o maior dos males palmeirenses está no coração envenenado da cartolagem. A política de gabinete, como sintoma mais doente, levou o clube à vida comum.

As relações políticas se assemelham a um clichê italiano: as máfias. Os capos de verde não matam com pistolas ou bombas embaixo de carros, mas executam adversários, enterram idéias e sacrificam projetos em nome da permanência no poder. O olhar se mantém distante de ideais democráticos ou esportivos. A vida política no Palmeiras é selvagem e autocrática.

As torcidas organizadas, muitas vezes parceiras dos dirigentes omissos, coniventes e medrosos na escalada de violência, têm razão desta vez. O processo eleitoral é tão arcaico quanto à visão dos principais comandantes do clube. Apenas 280 conselheiros têm direito a voto. Os associados ficam à revelia das alianças políticas. Os torcedores e seus desejos são ignorados solenemente,

O Palmeiras dava sinais de que seguiria uma estrada diferente dos demais clubes grandes de SP. Trocou um presidente de longa data, com tendências ditatoriais, por um economista acima de suspeitas. A teoria econômica não foi além dos limites da cantina.

As gafes de Luiz Gonzaga Beluzzo são aceitáveis, fruto de paixões e sentimentos agressivos na quentura de um jogo de futebol. Sempre se espera postura mais sóbria de um dirigente, mas se tolera o instinto de torcedor, exceto quando o amor se traveste de preconceito.

Talvez o problema esteja aí: Beluzzo governou como torcedor, não como administrador. E, acima de tudo, não reuniu forças para arranhar o castelo de pedras que protege os vícios da turma do amendoim.

A eleição de hoje só permite aos palmeirenses rezar e torcer com fé. Melhor ignorar a razão, que insiste em escancarar a lista de problemas. O buraco financeiro varia nos cifrões, varia no rol de culpados. A nova (velha) turma, sem opções convencionais e ou coragem para revolucionar, dará sequência à gestão do bom e barato. Ainda que seja inconveniente usar tais termos no calor da hora.

Sem perspectivas de sacudir a estrutura doente, o modelo político do Palmeiras sangrou o time de futebol. Quando um clube tem como ídolo único o goleiro, a situação gera cuidados. Quando este goleiro vai se aposentar no final do ano e não há um substituto em campo, o quadro preocupa.

E quando a maior referência técnica é o treinador, o momento significa fechar para balanço, seja financeiro, seja apenas no time de futebol.

Um comentário:

anacrisalmeida disse...

Bello, acompanho essa máfia há mais de 30 anos, pq os filhos dão continuidade à "questa maledeta sina"!!! Poverellos como sofrem!!!
É turma do amendoim, mafiosos, grandes cabeças e economistas e ninguém dá jeito num time que tem tudo pra ganhar e só perde!!! Perco eu a paciência, nem pelos filhos eu assisto!! Nem as pendengas extra campo e menos ainda os vexames no indigitado!!! He he he...bjos