sábado, 30 de outubro de 2010

A vida na biblioteca



Por Oscar Valeriano da Silva Júnior

Qual é a idéia que se faz de uma biblioteca? Silêncio reinante, livros empoeirados, a cara de poucos amigos da bibliotecária. Em se tratando de uma biblioteca universitária, a coisa muda por completo. Os sons e a diversidade de pessoas criam um universo único, como diria Spock – “infinitas diversidades em infinitas combinações”.

Eu vejo isso atrás do balcão todos os dias. Perco a conta dos tipos que aparecem por lá ou passam rumo à sala de estudos. Posso listar um pequeno grupo dessa diversidade.

Comecemos pelo confortável: o aluno que senta no pufe para conversar ou estudar. No fundo, prefere mesmo dormir.

Há também o paraquedista,que aparece na biblioteca por acaso, procurando um livro que nem sabe quem escreveu ou seu título. O diálogo é mais ou menos assim:

- Moço, preciso de um livro de anatomia bem fininho.

- Certo, mas que livro você procura?

- Ah, um bem fininho.

Como explicar para esse aluno que existem mais de 20 títulos que se encaixam no que ele quer?

O aluno solidário é o verdadeiro amigo. Ele só vai à biblioteca para acompanhar os amigos.

Outro é o distraído, que esquece o livro em algum lugar, ou entra com bolsa ou mala no acervo.

Outro tipo é o halterofilista, que sempre está carregando livros grandes e pesados.

Há ainda o aluno amigo, que sempre para no balcão para bater um papo. Não posso esquecer o meu favorito: o aluno sócio, que sempre paga multa.

Mas nem tudo é alegria na biblioteca porque alguns tipos de alunos que não são tão legais, como o nervoso, que anda sempre estressado com as coisas. É quando temos que ter mais jogo de cintura para lidar. Um exemplo são os barulhentos, que esquecem onde estão e ficam falando alto, e o vagaroso, que espera o último instante para sair da biblioteca antes dela fechar.

A biblioteca é um mundo diferente, único no seu dia-a-dia, nunca é igual, mas quando chega a hora de fechar que o silêncio reina novamente, só ecoando o som de seus alunos que percorreram os corredores, até recomeçar tudo de novo no dia seguinte.

Obs.: Texto produzido na Oficina Conto/Crônica - olhar e ver o (nosso) cotidiano, dentro da IV Semana de Produção Multimídia (Samba), da Universidade Santa Cecília, em Santos (SP).

Ilustração: Kitty Yoshioka

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