terça-feira, 29 de junho de 2010

Cinema aonde? Cinema para quem?

Ir ao cinema é um ritual. A sala escura, a tela branca, todos em silêncio (deveriam!) focados nas imagens. Até a pipoca, para uns, é parte fundamental do ato de ver um filme. No Brasil, a maioria dos brasileiros desconhece esta cerimônia. Oito em cada 10 pessoas nunca foram ao cinema. Nove em dez cidades brasileiras não possuem sala de exibição.

A Baixada Santista, região onde resido, é uma exceção. Das nove cidades, sete possuem pontos de exibição, entre modelos multiplex (os de shoppings), sala para filmes de arte e cineclubes. Ainda assim, os ingressos são muito caros para os padrões locais. Em um sábado à noite, por exemplo, o ingresso chega a custar R$ 16. Esqueça a pipoca, o refrigerante ou a água.

Diante de um quadro nada promissor, o Ministério da Cultura e a Agência Nacional de Cinema (Ancine) lançaram o programa Cinema Perto de Você. Trata-se de uma linha de crédito, da ordem de R$ 500 milhões, para a construção de 600 salas de cinema no interior do país.

A prioridade será dada aos 89 municípios com mais de 100 mil habitantes que não tem salas de cinema. A linha de crédito vai priorizar os empresários que comprarem equipamentos digitais, adaptáveis ao 3D. A importação de equipamento e a compra do material de construção são isentos de IPI e PIS-Confins. Este último não será cobrado das novas salas por cinco anos.



O programa é lindo no papel e no discurso. E aí começam as ressalvas. Essa história de cinema no interior teve seu prelúdio há um ano, quando o presidente Lula lançou o vale-cultura. Na ocasião, pediu ao Ministério da Cultura que alterasse o cenário do circuito de cinema nacional e levasse as salas de cinema para o interior. O Ministério levou um ano para acertar a burocracia do programa.

A segunda ressalva é que sempre necessário desconfiar destes projetos milagrosos, de mudança abrupta de cenário em ano eleitoral. Faltam pouco mais de três meses para a eleição, o que gera dúvidas sobre quaisquer projetos que devem entrar em prática depois do pleito.

Em entrevista à Folha de São Paulo, o presidente da Agência Nacional, Manoel Rangel, se defendeu da pergunta sobre motivação eleitoral. “Os programas são lançados quando estão prontos para serem lançados”. É duro deixar de lado a ingenuidade e acreditar nas boas intenções do Ministério e sua agência, ainda mais quando – historicamente – a pasta da Cultura tem um orçamento minúsculo.

Abrir linha de crédito não será ponto de virada no enredo atual se outras mudanças estruturais não acontecerem. Hoje, o circuito brasileiro está amarrado em dois grandes problemas, com suas derivações. O primeiro deles é a concentração das salas de cinemas, nas mãos de poucas empresas exibidoras. Houve a padronização do atendimento e a transferência das salas dos bairros para os shoppings centers.

Estar no shopping tem um custo extra para o espectador, como estacionamento. Além disso, o preço do ingresso não atrai a chamada nova classe média (expressão do Governo, discutível, por sinal). Houve leve crescimento na vendas de ingressos no último ano, o que não significa renovação dos espectadores.
Qual será o modelo das novas salas? Onde estarão localizadas? Como ficará o preço dos ingressos, compatível com o custo de vida das cidades médias, priorizadas pelo programa?

Se o cinema não se tornar acessível como entretenimento, não vai contribuir para frear o interesse do público em mídias individuais. As emissoras de TV, por exemplo, registraram queda de 20% na audiência no eixo Rio-São Paulo nos últimos dois anos. Onde estão os telespectadores?



Os telespectadores continuam consumindo audiovisual, mas em outras plataformas. Os ricos, em celulares e computadores que só faltam falar. Os mais pobres, em aparelhos de DVD comprados em supermercado, com filmes adquiridos no mercado genérico (vamos dizer assim). Compram também TVs de 29 polegadas, modelo antigo, mais computadores a preços populares nos mesmos endereços.

A outra grande dificuldade diz respeito à distribuição dos filmes. Expandir o número de salas sem mexer no mecanismo de distribuição, escravo das grandes produtoras e carrasco das pequenas produções. Uma das principais queixas dos cineastas brasileiros é a dificuldade em exibir seus filmes. A verba para marketing é sempre insuficiente, quando consta no orçamento.

O Brasil tem, atualmente, cerca de 2000 salas de cinema, a maior parte concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Filmes como Batman e Homem-Aranha chegaram a ocupar metade das salas em suas estréias. No caso de filmes nacionais, 90% dos ingressos vendidos eram para filmes produzidos e/ou distribuídos pela Globo Filmes.

Ninguém pede para que o Governo Federal interfira na escolha dos conteúdos. Apenas que repense a forma de conduzir a política cultural, hoje executada a partir de pontos esparsos, com pouca conexão entre si ou cheiro de planejamento de longo prazo.

Caso contrário, teremos mais salas de cinema, mas com a repetição do mais do mesmo. Ninguém também pede suicídio comercial, mas que se evite a praga da padronização das produções. Apenas o acesso à diversidade pode romper com os clichês, em todos os sentidos.

Um comentário:

Daniel BS disse...

No meu caso, diminui muito minha frequencia ao cinema devido ao fato do preço estar "ABUSIVO". Acredito que muitos aqui, que irão ler a coluna vão concordar.

Adoro ir ao cinema, é um programa legal para se fazer com a namorada, com amigos, é uma diversão que antes poderia ser barata, mas hoje torna-se cara d+.

O Cinema é para os RICOS, é para quem tem dinheiro. E nem vamos falar que os novos cinemas, reformados, etc... são realmente confortáveis.. pois NÃO SÃO. Cinemark por ex, é aquela cadeira péssima, que saiu com torcicolo ou dor na coluna.

E a pipoca? Compro um saco de pipoca por 1,50 e faço no mínimo uns 5 pacotes daqueles grandes, compro uma coca-cola de 2L por 3,50 e tudo isso saí por 5 reais. No cinema, vai sair no mínimo 14 reais. É UM LUCRO ABUSIVO e não dá pra culpar apenas o GOVERNO... a não ser CRIAR INCENTIVOS PARA DIMINUIR O PREÇO ABUSIVO DOS CINEMAS.

Quem espantou o publico do cinema foi o próprio cinema. Quem baixa filme, compra no mercado pirata, é pq não tem grana para ir no cinema. Eu, já optei por ir em dias não tão convencionais. 3h da tarde de uma terça-feira, com 15 pessoas na sala do cinema e pagando 4 reais(meia) o ingresso... mas apenas enquanto estou desempregado. PAgar 16 reais? Nem pensar... muito menos pagaria 8 reais. Prefiro não assistir, ficar sem ver um filme do que gastar isso... Mas eu digo o pq...

Bom, qdo comecei a namorar, foi qdo comecei a ir com uma maior frequencia ao cinema. Pagava em dias promocionais 4,00 durante a noite de quarta-feira... onde o cinema LOTAVA. 6 meses depois, férias do meio de ano.. o preço subiu para 4,50. férias de verão, 6 meses depois.. já pagava 5 reais, mais 6 meses ou nem isso, já estava 5,50.. + 6 meses.. era 6 reais... chegou um momento q pensei. Eles estão brinbcando com minha cara? Quem aqui é troxa? O salário não aumenta pra ngm e eles tão fazendo a gente de troxa? Sim, era o cineroxy... E ir ao cineroxy, a única vantagem são as cadeiras mais confortáveis que cinemark... pq nem o combo grande da pipoca do cineroxy TEM REFIL.. e o baude nem chega perto do pacote com refil do cinemark.

Ou seja... COLOQUEM NA BALANÇA.. VE OQ É BOM... VAI ALUGAR UM FILME.. EXISTEM AINDA LOCADORAS BOAS.. Q até entregam em casa. vc paga 5 6 nuum filme 5 reais em pipoca + refri num supermercado.. NO TOTAL 10 REAIS. A DIVERSÃO É GARANTIDA DO MESMO.. FILME A DOIS.. FILME COM AMIGOS.. e por ai vai.

Não consigo ver culpados a não ser apenas a própria industria do cinema. Não vejo o governo culpado, até pq é uma forma de incentivar sim.. mas infelizmente tem mta grana por trás da industria do cinema que se diz inocente e falida devido ao fato da pirataria.. qdo na realidade poderia INOVAR e enfrentar essa falsa crise com inteligencia e formas de anunciar dentro dos filmes de maneira sutil e que atingisse o consumidor... AHHH ELES IRIAM LUCRAR MTO (ALIAS, JÁ LUCRAM.. SOMOS MASSACRADOS COM ISSO)