terça-feira, 22 de junho de 2010

As 11 formas de perder uma Copa do Mundo



A França decepciona. Arrisca repetir o fiasco de 2002, quando voltou para casa na primeira fase. Empatar contra o Uruguai e perder para o México não representam resultados surpreendentes, como muitos podem acreditar. É apenas a casca de uma árvore que apodrece há tempos. As feridas sangram, são purulentas, mas os médicos insistem em passar pomadinhas.

A França, atual vice-campeã mundial, dá sinais de que faria uma campanha complicada na África do Sul há, no mínimo, dois anos. Não são somente obstáculos de ordem técnica. Bons jogadores há. Mas muitos veteranos estão decadentes e as novidades ainda não dão contam de carregar o peso da camisa.

A questão é interna, de uma equipe envolvida pela vaidade, pela individualidade como referência única para vencer e pela falta de liderança. Pecado mortal para um esporte coletivo.

Abaixo, seguem 11 episódios – ou melhor, sintomas – que indicam como um grupo doente pode morrer durante uma Copa do Mundo. São sintomas clássicos, que afetaram várias seleções ao longo da história do futebol. Desta vez, o paciente é francês.

1)O desempenho irregular nas eliminatórias para a Copa do Mundo. A França se classificou na repescagem, com a mãozinha de Thierry Henry. Perdeu da China em um amistoso de preparação para o Mundial. A desorganização tática permaneceu na África do Sul.

2)Convocações discutíveis. O veterano Patrick Vieira e o atacante Benzema, do Real Madrid, ficaram em casa. Eram convocações dadas como certas. A maior parte da imprensa francesa os considera melhores do que os que foram para o Mundial, nas respectivas posições.

3)Ídolos críticos. O principal ídolo de um passado recente faz duras críticas ao time e ao técnico. Zidane afirmou que Raymond Domenech seria “um selecionador, e não um treinador.” Nenhum jogador defendeu Domenech. Aliás, Evra, Henry, Ribéry e Gallas pediram que o treinador mudasse o esquema. Gourcuff e Govou sairiam do time contra o México. O técnico concordou, mas mudou de ideia ao descobrir a influência de Zidane, segundo o jornal francês Liberátion. Zidane nega.



4)Jogadores deslocados. Gourcuff e Govou mal se relacionam com boa parte do elenco. Treinam praticamente em separado. O diálogo é reduzido. Básico.

5)Estrelismo. Um dos atacantes titulares, questionado pelo técnico pelo mau desempenho no primeiro tempo contra o México, responde aos palavrões. Anelka foi substituído na seqüência.

6)Roupa suja sob holofotes. A Federação Francesa de Futebol anunciou o corte de Anelka dois dias depois. O problema, que deveria ser contornado no vestiário, ganhou vida pública e proporções enormes.

7)Todos por um. Um por todos? O grupo de jogadores, com desempenho pífio nas duas primeiras partidas, se volta contra a comissão técnica e a federação. Os jogadores resolvem boicotar o treino da tarde de domingo pelo corte de Anelka.

8)Os cartolas contra-atacam. O chefe da delegação francesa, Jean-Louis Valentim, pediu demissão por causa do boicote. “Os jogadores não querem treinar. É uma vergonha”, disse o ex-chefe, agora a caminho de casa.

9)Porrada em público. No mesmo dia, o preparador físico Robert Duvene discutiu com o lateral Patrice Evra e tentou agredi-lo. O técnico Domenech fez o papel do deixa disso. Evra teria dito que havia um traidor na seleção, mas negou que seja o preparador físico.

10)Chefe não é líder. O técnico não inspira confiança nos ídolos, nos jogadores e na imprensa internacional. Ficou mais conhecido pelas manias e crendices do que pelos feitos à beira do campo. É acusado, por exemplo, de escalar o time por mapa astral. Perderá o emprego depois do Mundial, não importa o resultado.



11)A eminência parda. O principal atacante esquenta o banco de reservas. Thierry Henry pode não estar em seus melhores dias, mas permanece mais eficiente e letal do que Anelka, por exemplo. Jogou apenas alguns minutos no empate contra o Uruguai.

Fofocas, brigas, fogueira de vaidades, jogadores que se consideram acima das tradições e do time. Conhecemos esta história. O Brasil perdeu várias copas por causa destes motivos, isolados ou combinados. Hoje, parece que vivemos uma situação aparentemente melhor, assim como os argentinos. Todos falam pelo grupo e se uniram em torno dos treinadores, bastante criticados pela imprensa.

A aliança cheira à acordo político, daqueles bem pragmáticos, com objetivo comum, mas parece dar certo até agora. Pelo menos, até o final de semana, quando começam as oitavas-de-final.

A França joga hoje contra a África do Sul. Precisa vencer e, para se classificar, torcer para que os uruguaios ganhem dos mexicanos. Um time assim pode ir longe? Ou implode antes?

Um comentário:

Daniel BS disse...

A França definha a anos, se não fosse aquele campeonato estranhamente conquistado, com certeza ela nem seria realmente campeã do mundo. Mas aquela taça para frança nos rendeu o titulo de 2002 e a copa de 2014 é no Brasil. Bom, estes são apenas algumas das teorias da conspiração que rondam a internet.

Quando se fala em jogadores veteranos e decadentes, isso me lembra muito a Italia. Que nada mais é que um time de "Velhacos" e não há esperanças futuras boas para eles. Não é o mesmo caso da frança, já que na frança há muitos jogadores "Franceses" sim atuando em equipes grandes. Mas ainda assim é tomada por um esquadrão de gringos que tomam conta de suas equipes e não permitindo a renovação. Já o caso da Italia, vai muito além, não há o espaço devido aos jogadores italianos, a grande realidade é que de 3 jogadores estrangeiros limites, pós nova lei criada e que jogadores com cidadania europeia poeria transitar de time para time sem problema algum dentro da europa, constatamos que a Italia se definha devido ao fato de NÃO EXISTIR ESPAÇO PARA ITALIANOS. Vide a Inter de Milão, campeã da Champions League sem se quer ter um jogador italiano como titular.

Essa globalização do futebol está sendo um mal muito grande para as seleções europeias, todavia tem sido um ganho muito enorme para as equipes de seus paises.

A experiencia é boa para um time, mas a renovação ela é mais importante ainda. E vou dizer mais, o jogo de interesses nesse mundo da bola é tamanho, que acredito que o futebol tem dia e hora para acabar.

Parabéns a FIFA que tem permitido tamanhas barbares no futebol atual.