sábado, 2 de janeiro de 2010

Santana e a crise do pop

ESTE TEXTO FOI PUBLICADO, ORIGINALMENTE, EM FEVEREIRO DE 2000, NA EXTINTA REVISTA ELETRÔNICA O CAIÇARA. RESOLVI POSTÁ-LO AQUI PARA PROVOCAR EM VOCÊ, LEITOR, UMA SIMPLES INDAGAÇÃO: O QUE MUDOU NA INDÚSTRIA DA MÚSICA EM 10 ANOS?

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O som das guitarras atingiu o topo das paradas. O mérito é maior porque o mundo de hoje é povoado por cantores e cantoras que parecem jamais terem sido apresentados a instrumentos musicais.

Muitos o consideravam um dinossauro do rock, sepultado como outros artistas dos anos 70. O guitarrista mexicano Carlos Santana se renovou e surpreendeu o mercado fonográfico, acostumado a faturar com CDs de Britney Spears, Spice Girls, Ricky Martin e Backstreet Boys. O fato de ter vencido oito prêmios Grammy (Oscar da música), igualando o recorde de Michael Jackson, em 1984, talvez seja apenas o reconhecimento do circo pop. Ou então - talvez a melhor resposta - reflexo de um trabalho incontestável para críticos e público.



Aos 52 anos, Santana permaneceu 12 semanas na liderança da parada inglesa. Nos Estados Unidos, é o número 1 há quatro meses. Vendeu cinco milhões de cópias apenas no cenário americano. Explodiu com o hit Smooth, dueto com o vocalista da banda Matchbox 20, Rob Thomas. Atrás dele, Britney Spears, Ricky Martin, Whitney Houston, N'Sync e turma.

Mais do que vender CDs, Santana quebrou uma hegemonia que marcava o pop no final dos anos 90. Muitos críticos dizem que o pop passa por uma crise sem precedentes. É muito provável! Há pouca renovação com qualidade. Todos parecem iguais. Seguem o mesmo estilo. Cantam no mesmo timbre. Vestem o mesmo uniforme. Rebolam como robôs (se isso é possível). Até as letras se assemelham.

Antes, eram as divas. Salvo Tina Turner e Aretha Franklin, as demais ainda não saíram do purgatório. Quem consegue diferenciar Celine Dion, Whitney Houston, Mariah Carrey, Gloria Estefan e outras com repertório carregado no mamão com açúcar?

Depois, o fenômeno Spice Girls, moças contratadas para interpretar (essa é a palavra; o que vale é o show) músicas pré-fabricadas e coreografias milimetricamente ensaiadas. A falta de talento e a voracidade da mídia de massa demoliram o grupo. Duas tentam carreira solo e outra virou esposa de jogador inglês de futebol. As demais - até o momento - não nos mandaram notícias.

Nos últimos dois anos, o mercado fonográfico passou a fabricar grupos com cinco rapazes de rostos bonitos, corpos atléticos e cérebros padronizados. Portanto, músicas padronizadas. É comida requentada. Quem não se lembra de New Kids on the Block, que explodiu no início dos anos 90? Apenas um deles se mata atualmente para alcançar sucesso na carreira solo. Os outros mudaram de profissão - digo - o sistema os obrigou a mudar.

Estamos rodeados de lixo musical. Na maioria das vezes, não nos damos conta disso. A ressureição de Santana foi e é uma brecha para o renascimento do próprio pop. Madonna também deu sinais de recuperação com o sucesso Beautiful Stranger, canção que compunha um disco elogiado por críticos e público americano.



Parte da imprensa especializada atribuiu o sucesso de Santana aos duetos que povoam o CD Supernatural. Lauryn Hill, Dava Mathews e Eric Clapton fizeram parcerias com o mexicano e engrandeceram seu trabalho. Só isso!!! Não viraram protagonistas. Trabalharam como escadas. O mérito foi todo de Santana. Sua latinidade estava ainda mais presente. Basta ouvir a música Maria, Maria.

Por falar nisso, os latinos dominaram o mercado americano e, por tabela, engoliram quase todos os Grammys. É mais um sintoma da crise do pop. No entanto, não confundam - pelo amor de Deus - Ricky Martin, Jennifer Lopez e Cristina Aguillera com Carlos Santana. O guitarrista mexicano faz música. Os demais, não sei.

9 comentários:

Daniel Simonian disse...

Já é de tempos mesmo que a música estagnou, parou no tempo. Faz dez anos e as prioridades continuam as mesmas. O faturamento das empresas em cima das cabeças de vento. É triste fazer parte de uma pequena parcela da população que consegue resistir aos ataques das novas ameaças da música internacional e nacional, e ver a música sincera padecer diante de nossos olhos. Triste. Muito triste.

Marcia Leite disse...

Olá!!!
Eu não ia falar nada, mas, não resisto a uma provocação rsrs : lá vai ..

Um, dois, três, baila salsa e merengue Maria!!! Um dois , três, un pasito para trás ! Bale!!!! rsrs
Parabéns!!
Ótimo texto!!!
Santana é o máximo!

wendell penedo disse...

Não mudou muito mesmo numa década...o velho guitarrista cansado ainda continua com suas parcerias patéticas, se segurando nas costas dos seus duetos, precisando sempre de um nome mais acessível para sua guitarra tediosa correr por trás. E as bandas fabricadas de garotos viraram os grupos, nao fabricados, mas de qualidade igualmente duvidosa, tocando seu hardcore melódico com rimas de alfabetização.
Se mudou algo, foi só a casca, como cobra que troca de pele, o pop troca de cara, mas mantém a falta de substância.

Abraço mestre!

Daniel BS disse...

Santana é simplesmente d+ ... Qto aos outros, bom... os outros são realmente apenas os outros.
Como você mesmo falou em relação as SpiceGirls, é tdo pré fabricado... são bixinhos de estimação de gravadoras.. e como tais... tem a vida curta.

A música vem morrendo a cada dia, tem alguém muito louco assassinando o Rock, O Pop... e os demais estilos que poderiam ter algo ainda util e bom.

Infelizmente deparamos hoje com Cine, Fresno, ForFun, Nx Zero, entre outras bandas que se classificam como um estilo (que não são) e no fundo são frutos de gravadoras. Basta olharmos antes do sucesso o que tocavam(por mais ruim q fossem, era diferente), e agora vejam ou ouçam, melhor dizendo, que eles tem tocado. É VENDA.. É PROSTITUIÇÃO FONOGRÁFICA.

É aquela velha história, Qto mais se tem dinheiro, mais se quer... E ai que as bandas se vendem de verdade.

Ah que saudades de Pearl Jam, Nirvana, etc... Mas espera, hoje podemos vê-los, vestidos de outra maneira, com outros estilos, porém parecidos, tocando músicas identicas, mas dizendo que é o "NEO-GRUNGE", com nome de CREED, ALTER BRDIGE... mas não passam de um plágio muito mal feito, discarado e VENDIDO de um ser que ainda se acha melhor que os pioneiros.

Ah.. Que saudades de PINK FLOYD... ai sim... Esse podemos dizer.. Quem iria conseguir copiar? Até então, achei ninguém... Até descobrir uma banda que tocou uma música com fortes influências de PF... "Husky Rescue - New Light Of Tomorrow" ... A banda em si não tem nada a ver... mas você por essa música, elementos na música que é puramente Pink Floyd.

E Falar em Pink Floyd, é triste saber que tão destruindo a música, quando se tem uma fã louco de Pink Floyd tentando descobrir algo novo, porém "novo de verdade" mas que fossem algo "monstruosamente" maravilhoso como foi Pink Floyd.

As gravadoras, hoje, ditam as regras, e os troxas consomem. Não somos refens apenas de emissora de televisão poderosa, somos reféns do mundo globalizado, do consumismo.. ESTAMOS REFENS DA ESCRAVIDÃO MODERNA.

Lobinho disse...

Ainda bem que existe a internet, senão estavámos fodidos, seriam de Cine, Calypso e Aline Barros pra baixo...

Mas acho que não precisa inovar pra ter um bom som, basta ser sincero, mas ainda tem espaço pra novidades, mas desde que não se distancie muito dos interesses das gravadoras (e esse que é o problema)...

Principe Encantado disse...

Hoje não existem mais músicos verdadeiros os sintetizadores ocuparam os estúdios, qualquer um vira mito imposto pela mídia e não por talento.
Abraços forte

João Poeta disse...

Infelizmente, a música eletrônica veio para degenerar essa arte maravilhosa. Tenho saudade dos long play de vinil, onde o som era real e de muito boa qualidade.
João

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

A música pop está estagnada no tempo, estas de hoje eu nem esculto. Não gosto de Madonna, Britnei e outras internacionais e os daqui são a mesma coisa não se salva nenhum. Eles só pensam em faturamento e música que é bom não tem. Para mim o melhor foi Pink Floyd, como ele não existe e nunca vai existir.

vovolili disse...

Olá amigo.

Parabéns pelo post.
Excelente matéria.
Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian