quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Halloween: a fraude no cinema



O filme Halloween – O Início é uma fraude. Desconheço se a produção é ruim, pois ainda não a assisti. Mas não pretendo vê-la – terror é um dos meus gêneros preferidos – nas salas de cinema. Como aceitar uma refilmagem que perdeu 26 dos 109 minutos de duração original?

Além de o filme chegar ao circuito nacional com quase dois anos de atraso, a Play Arte, distribuidora de Halloween, cortou quase meia hora da história sem explicação pública. Assassinatos ficaram mal justificados, e narrativas em OFF do psiquiatra (Malcolm McDowell – Laranja Mecânica) que atende Mike Myers (Tyle Mane – X-Men) desapareceram, entre outras alterações. O site CineClick, por exemplo, separou 11 momentos dilacerados pela edição brasileira.

A distribuidora reduziu Halloween na expectativa de faturar mais nas bilheterias, mesmo dois anos depois da produção e em tempo de downloads. A versão integral seria classificada como 18 anos pelo Ministério da Justiça. Com 26 minutos extirpados, o filme poderia ser visto por maiores de 14 anos. Falsa expectativa de mais ingressos vendidos.

Nada mais melancólico para o desfecho – sem clímax – de uma história que sacudiu o gênero terror no final dos anos 70. Halloween, de John Carpenter, é um marco entre os filmes de assassinos seriais. Eu o colocaria entre os cinco melhores da história do cinema. A genialidade de Carpenter está na capacidade de tirar o máximo do mínimo. Criar sensações no espectador a partir de poucos recursos técnicos, como a trilha de uma música só, composta de quatro notas. Cenas onde nada acontece geram apreensão na poltrona.

O filme, de 1978, como me disse certa vez um amigo, provocava medo nas salas de cinema. Fazia com que muitos evitassem ficar sozinhos depois da sessão. Na época, sessões da meia-noite. O filme transformou este tipo de trama em um sub-gênero, sendo imitado inúmeras vezes, em várias mídias.

Halloween virou franquia. São oito filmes, sem contar a refilmagem em cartaz. O número 2 ainda tinha o dedo de Carpenter na produção e dava sequência à loucura por sangue de Mike Myers, obcecado pela irmã, papel que tornou Jamie Lee Curtis conhecida. Depois, apenas filmes com roteiro para adolescentes, que privilegiavam modelos sendo mortas aos gritos histéricos, com sustos previsíveis.

A versão do momento foi dirigida e escrita por Rob Zombie (foto abaixo), cineasta conhecido do gênero. Ele dirigiu, por exemplo, a “Casa dos 1000 corpos”.



A proposta de Halloween – O Início é contar a infância de Myers, tentando explicar porque ele se tornou um assassino em série. Mostra Myers aos 10 anos, cometendo as primeiras atrocidades, o período de 17 anos em um hospital psiquiátrico e a fuga com posterior caça às vítimas.

Myers é ironicamente um moralista, que mata casais que fazem sexo antes do casamento. O motivo seria a mãe, que trabalhava como stripper, e o pai ausente. Tudo bem! Explicação simplória demais, mas quem deseja profundidade freudiana em um filme que serve apenas para assustar o espectador? O original, de Carpenter, não se arrisca na psicologia de banheiro.



A refilmagem apanhou da crítica, vazou na Internet antes de chegar aos cinemas americanos, mas rendeu – nos EUA – quatro vezes o orçamento de US$ 15 milhões.

No Brasil, Halloween – O Início é um típico caso de PROCON. Propaganda enganosa contra o espectador, que deveria ter o dinheiro do ingresso de volta. E não vale se queixar do critério qualidade.

2 comentários:

Lucas disse...

Olá, Marcão. Eu nunca havia assistido Halloween, mas após o lançamento do novo filme da série, resolvi assistir. Sei que os tempos são outros, mas em nenhum momento do filme ‘A noite de terror’, eu fiquei assustado.
Gostei do filme. A música que toca durante os ataques de Mike são daquelas que ficam marcadas, assim como as que tocam em Rocky, Tubarão, e O Poderoso Chefão.
Pareceu-me que foi um dos primeiros filmes a usar assassinos em série. Não tenho certeza, mas parece que Sexta-feira 13, A Hora do Pesadelo, e outros filmes de terror, usam o mesmo estilo de Halloween, ou seja, assassinos que sempre tem um motivo para matar. Não sei se é recomendável, mas pretendo assistir as seqüências de Halloween.
Até mais!!!

Lucas Rocha

Marcus Vinicius Batista disse...

Lucas, obrigado pelo comentário!!! Halloween, de John Carpenter, influenciou - direta ou indiretamente - os filmes que você citou. Veja as sequências sim, mas não crie grandes expectativas (risos). Grande abraço!!!