terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Ruanda, o anonimato africano






A notícia ganhou o espaço tradicional para àqueles que pouco interferem nos aspectos da crise econômica mundial, infestada de medos, medidas e contra-medidas, auxílios financeiros e paranóias corporativas. No maior portal de notícias do Brasil, o fato recebeu exatas 20 linhas, traduzidas de uma agência internacional de informação.



O Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR), localizado em Arusha (Tanzânia), condenou, no último dia 18, três oficiais do exército à prisão perpétua. Outro oficial foi absolvido. O coronel Theoneste Bagosora foi considerado o líder do movimento que promoveu o genocídio contra tutsis e hutus moderados em 1994. Segundo o juiz norueguês Erik Mose, os três devem ser responsabilizados por “genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra”.



O coronel tem 67 anos e era diretor de gabinete do Ministério da Defesa no período em que aconteceu o massacre. Bagosora é de etnia hutu, que se encontrava no poder na ocasião. Ele negou as acusações. Em 1993, o coronel teria dito que prepararia o “apocalipse” após o fim das negociações com a Frente Patriótica Ruandesa, ligada à etnia tutsi, hoje no poder.



Ruanda é um país africano do tamanho do Estado de Sergipe. Lá, vivem cerca de oito milhões de pessoas, a maioria sem infra-estrutura básica. No contexto geopolítico, a importância de Ruanda se aproxima de zero. Trata-se de mais uma nação com péssimos indicadores sócio-econômicas, sem fontes econômicas sustentáveis (como parque industrial), fruto de exploração de matéria-prima, cercada por países em guerra civil e sem apoio de organismos internacionais com projetos de desenvolvimento.



Ruanda estaria condenada ao ostracismo se não tivesse sido palco de um dos maiores genocídios da história. Em 1994, durante uma guerra civil entre hutus e tutsis, as duas principais etnias do país, cerca de 800 mil pessoas foram assassinadas, muitas delas a golpes de facão. As mortes ocorreram em cem dias. Isso que você acabou de ler!!! 10% da população morta em pouco mais de três meses.






Mais do que militares ou mercenários, muitos assassinos eram até então pessoas comuns, sujeitos que sobreviviam à miséria do local. Passaram a cumprir “expediente” de facão nas mãos, executando amigos, vizinhos, colegas, idosos, mulheres e crianças. Uma macabra catarse coletiva, ignorada pela mídia internacional. Um território abandonado pela ONU, que retirou suas tropas, pois estava mais interessada nos problemas da Bósnia, também foco de massacres.



É possível crer que um tribunal internacional pode ser justo depois um genocídio? Até que ponto apontar e condenar culpados altera o cenário político e social de um país esfacelado por disputas contínuas de poder? É evidente que não se podem misturar as estações. Os responsáveis – os sujeitos de que deram as ordens, traçaram as estratégias e desprezaram quaisquer rastros de decência humana - merecem punições exemplares, inclusive no sentido de se registrar historicamente a resposta para tais atrocidades.



No entanto, o debate deve ir além da mera contabilidade de uma condenação jurídica. Uma situação como esta implica em contextualizar o papel da África no mundo contemporâneo. Significa compreender que Ruanda não representa exceção. É a multiplicação da regra.



Ruanda, assim como a maioria dos países africanos, enfrenta sucessivas trocas de poder entre os mesmos atores, todos semelhantes na violência, na corrupção e na perpetuação da desigualdade econômica e social, calcada no cultivo do assistencialismo barato. O Estado como elemento diretivo da transgressão. O Estado como organizador do crime.



Dos 53 países africanos, somente 19 podem ser considerados democráticos. O continente testemunha cerca de 15 guerras civis. A região onde se localiza Ruanda é o principal foco de combates. Todos os vizinhos ao redor lutam contra si mesmos. Em Ruanda, hutus e tutsis – divisão fruto do controle do colonizador belga no século XIX – mal resolvem suas rusgas, mas se abraçam na instabilidade política.



Não se pode admitir como natural que muitos dos países africanos ganhem visibilidade pelo desastre ou pelo futebol em tempos de Copa do Mundo. Ou ainda pelos olhos chineses, os colonizadores do início deste século. Também não se pode considerar inerente a presença de aviões repletos de comida e remédios como a solução para os males de um continente com 900 milhões de habitantes, metade dos quais se mantendo com menos de um dólar por dia. Até porque uma parte é normalmente desviada pelos próprios governos.



Duas sugestões para entender Ruanda. A primeira é o filme Hotel Ruanda (EUA, 2005), com Don Cheadle, Joaquin Phoenix e Nick Nolte. Direção de Terry George e três indicações ao Oscar.






A outra é o livro Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias (Cia. das Letras), do jornalista norte-americano Philip Gourevitch. Nos dois casos, pode-se perceber que hutus e tutsis são reflexos do mesmo espelho, física e culturalmente, e que seu líderes representam a ferida de um minúsculo país ainda em sangria. Hoje, a denominação das etnias é proibida, mas uma mancha como esta não se apaga com canetadas governamentais.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ditador morto, golpe na praça




O corpo não havia esfriado. O presidente Lansana Conté, de 74 anos, morreu na última segunda-feira, dia 22, e o Exército da Guiné já deu um golpe de Estado. No dia seguinte, por sinal! O porta-voz dos golpistas, o capitão Mussa Dadis Câmara, informou à BBC que um conselho – composto por vários coronéis, um general e seis civis – passaria a governar o país.



A União Africana resolveu se reunir na véspera de Natal para discutir situação da Guiné, embora o primeiro-ministro Ahmed Tidiane Souare tenha dito em rede de TV que o governo civil mantém a legitimidade. O primeiro-ministro e outros integrantes do governo são protegidos por tropas leais a Conté. A União Africana condenou o golpe militar com o argumento de que houve violação à Constituição. A carta magna, aliás, prevê eleições em 60 dias, numa situação como a atual. Ou seja: com a morte do presidente.



O porta-voz dos militares que assumiram o governo afirmou, na rádio estatal, que “as instituições da república foram dissolvidas”, pois o país se encontraria em “profundo desespero”, gerando a necessidade de intervenção sobre a economia e redução da corrupção do Estado.



É mais um capítulo que envolve ditadores e tomada de poder – de maneira ilegal – na história da África Contemporânea. O cheiro de guerra civil está forte! O fedor caracteriza o cenário que parece repetição de inúmeros casos no continente. Quem toma o poder à força utiliza o mesmo discurso do antecessor. Alega dificuldades econômicas e desmandos institucionais como equívocos que justificariam a substituição de comando.



A violência – que será utilizada posteriormente para conter adversários – serve também como argumento para o descontrole de quem foi retirado do poder. Uma curiosidade: o grupo golpista da Guiné adotou o sugestivo nome de “Conselho Nacional para a Democracia e Desenvolvimento”.



Uganda, Ruanda, Congo, Sudão, Etiópia, entre outros. A Guiné engrossa a lista de países sentados sobre indicadores sócio-econômicos sofríveis, com governantes agarrados a uma escalada de violência para se manter no controle da mina de matérias-primas de alto valor, negócios milionários com o primeiro mundo e as benesses da máquina burocrática.



A União Africana, por seu lado, é incapaz de localizar saídas práticas para problemas emergenciais. Cumpre, em parte, seu papel político ao se restringir ao campo da retórica, até porque muitos de seus membros possuem esqueletos no armário e em outros móveis da casa.



No caso da Guiné, a causa da morte de Conté é desconhecida, mas sabe-se que sofria de diabetes e teve leucemia. Conté governava o país desde 1984, quando assumiu o governo também em um golpe de Estado. Acusado de corrupção, ele superou duas eleições e agiu com braço duro contra os opositores. No ano passado, o Exército conteve com violência manifestações de dissidentes. Houve 186 mortos e cerca de 1200 feridos.



A Guiné, vizinha de Guiné-Bissau (onde se fala português), fica na costa oeste do continente e é banhada pelo Oceano Atlântico. Colonizado por franceses, o país se tornou independente há exatos 50 anos. A Guiné é rica em ferro, ouro e diamante e um dos maiores produtores mundiais de bauxita. No entanto, 53% da população vive abaixo do limite mínimo de pobreza.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Tempos atuais (ou modernos?)



Revi duas vezes, recentemente, o filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, para uma avaliação com meus alunos de História Contemporânea, na Universidade Católica de Santos. Confesso que não esperava tamanha atualidade no roteiro, capaz de indicar – com a sutileza necessária do humor poético de Carlitos – as bases para a crise econômica do mundo de hoje.
“Tempos Modernos” foi produzido em 1936, três anos após o fim da Grande Depressão, nos Estados Unidos. É justa a comparação entre o período e a crise econômica atual, sem as neuroses típicas de um pregão da Bolsa de Valores. Chaplin fala de uma sociedade vítima da recessão, que pouco entende os processos da economia, pois precisa resolver questões mais imediatas, como a próxima refeição ou o local para dormir a noite seguinte.

As duas primeiras cenas são cerejas no bolo. A primeira mostra uma manada de bois entrando num curral. A segunda, uma “manada” de pessoas apressadas rumo ao trabalho numa grande cidade.

O filme é o retrato da sociedade norte-americana que buscava superar os quatro anos de escassez, fruto de uma série de medidas equivocadas que culminaram na quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929. Na verdade, Chaplin enxergava além ao apontar as contradições, deficiências e esquisitices de uma forma de viver que colocava o trabalho como dogma, como valor moral.



Naquele contexto, apareciam os primeiros indicativos de uma cultura onde o trabalho caminhava de braços dados com os movimentos sociais de consumo. A sociedade que apontava na face do indivíduo a posição que ocuparia (e locais onde transitar, mesas a se sentar, amigos a dividir etc.) pelo poder de compra, pelo poder adquirido a partir da possibilidade real de se enquadrar conforme as normas simbolizadas, por exemplo, pelo status.

Carlitos é o operário típico de um fábrica. Arrumou aquele emprego na falta de outro melhor. Não tem formação. È um mero executor de tarefas primárias, uma máquina repetidora de movimentos que abrem mão do pensamento. Pensar atrapalha a produção, atrapalha a lucratividade, gera o empregado preguiçoso.
A tecnologia, na produção industrial, é oferecida como maravilha sedutora, de engrenagens perfeitas. O homem-máquina, hoje uma extensão dos olhos no monitor, das mãos no mouse ou dos ouvidos no celular, sobrevive como réplica das engrenagens, iludido com a percepção de que as comanda, quando – na verdade – apenas as atende. As engrenagens permanecem; o homem, ser substituível.
“Tempos Modernos” nasce no auge do fordismo, da concepção de que vale a pena produzir em massa para um consumidor massificado. Não se pensava na diversificação de produtos e serviços. Valia o ato mecânico, o ser mecânico. Esta forma de produção – da transformação do homem na mercadoria em si – se reproduz atualmente em inúmeros endereços. Basta, por exemplo, visitar a praça de alimentação de um shopping center. Ali, podemos comer qualquer um dos sanduíches padronizados, feitos por um indivíduo em processo de desumanização, que falará com você de maneira robótica. O nome dele? O passado do sujeito? Absolutamente irrelevantes.




O homem-máquina das fábricas de “Tempos Modernos” é clonado no mundo contemporâneo. Independente de movimentos braçais e/ou cerebrais, o sujeito deve se manter como gado, seguindo os demais nos corredores demarcados do curral. Abdicando da reflexão. Impotente para questionar. Frágil para a desconfiança. A quebra destas premissas implica invariavelmente em choques, em conflitos nos quais o perdedor é o homem acoplado ao maquinário, o homem dependente de tecnologia.
A tecnologia não seria o meio, funcionaria como o fim das atitudes, o ponto de chegada de quaisquer teorizações sobre a vida cotidiana. Apagaria sentimentos, relacionamentos. A rotina na fábrica de Carlitos poderia tê-lo desumanizado. Mas a graça do personagem reside em criticar e rejeitar a ditadura do relógio, do ponto, do transcorrer das engrenagens e da ausência de diálogo entre empregados e entre empregados e patrões.
É evidente que o resultado se mostra nefasto e irônico. Carlitos é sempre visto como louco ou como alguém que deve ser preso. O marginal tem que ser detido. Deve ficar longe da exposição, exceto quando cumprir o papel de exótico, maluco, bizarro.
Chaplin ainda tateia no contemporâneo quando observa este comportamento social nas relações de consumo. A sociedade de consumo estava em fase embrionária, mas ele consegue perceber como a exclusão e a inclusão pela compra de objetos se tornam pilares no cenário público.
“Tempos Modernos” vê também como a cultura pode ser devidamente repaginada numa embalagem de entretenimento, absorvendo a implacável estratégia de desvio do foco, principalmente quando explodem dificuldades na economia. Hollywood não apenas sobreviveu como lucrou com a Grande Depressão. O cinema da época se caracterizou por histórias de amor, produzidas em série como carros de uma mesma tonalidade.




Em 1936, Chaplin – ainda dentro deste modelo – consegue analisá-lo sem deixar de lado o humor, como pode ser visto nas seqüências finais, em que Carlitos trabalha de garçom em um restaurante e se vê obrigado a cantar para a platéia. A letra, sem aparente sentido, pouco importa para aqueles que pretendem somente esvaziar a mente e comer bem.

Chaplin mantém o caráter visionário e atemporal nesta obra. Ele é genial na universalidade de temas, na descrição de ações humanas que transcendem a maioria das culturas, somente com adaptações de espaço e tempo. No caso de “Tempos Modernos”, a ironia do título aponta, infelizmente, o medieval em nós, crentes que somos modernos.

Conquistas militares, conquistas 'espirituais'

Por Alexandre de Souza Costa*


O desabrochar das primeiras flores da primavera do ano 333 a.C. marcou o inicio de uma das mais magníficas histórias de invasão por uma civilização, porém sangrenta. Era a invasão da Ásia Menor pelo exercito de Alexandre, rei da Macedônia. O objetivo era simples: vingança por ataques anteriores à Grécia Antiga, prevenir futuras incursões dos Persas e acumular riquezas materiais, tais como ouro e outros metais preciosos.


Passado pouco mais de um século, na África Ocidental e após a derrota da primeira guerra Púnica, Cartago (uma das mais belas cidades do mundo antigo) começa a florir novamente. Ela expande suas fronteiras e área de influência para a região da Espanha atual. Região esta que poderia gerar novas riquezas, engordando os seus minguados cofres e flanquear no continente Europeu o seu maior inimigo na época, Roma.




Com esta intervenção, Cartago poderia prevenir quaisquer futuros ataques a sua cidade (que ficava na África – hoje, região próxima a Túnis – Tunísia) e também usar esta região como trampolim para um futuro ataque preventivo. E foi assim que aconteceu.

No ano de 58 a.C., a cidade de Roma não era mais uma simples cidade-estado. Ela dominava toda península Itálica, Grécia, Macedônia, parte da Ásia menor, grande parte da península Ibérica, todas as ilhas do mar mediterrâneo. Pedaço da África Norte estava sob seu julgo também. Toda esta pujança fora conquistada durante e após as guerras Púnicas. Com isso, Roma estava se configurando como a principal potência do mundo ocidental.

Motivada por estas conquistas, Roma desejava manter o poder sobre estas áreas, em especial a Européia, pois sabia que atrás dos Alpes estava a Galia Transalpina. Os povos que se encontravam ali eram “parentes” dos que viviam na Galia Cisalpina (subjugados séculos anteriores no norte da península Itálica). Estes poderiam atacá-los em solidariedade aos parentes “Gálicos Italianos”.

Roma, através de um dos seus cônsules, Caio Julius Cesar, invadiu a Galia Transalpina com o argumento de prevenir futuros ataques a sua república. Conquistou toda a região, onde hoje estão França, Suíça e Bélgica.





Os ventos que sopravam no mundo ocidental durante a Antigüidade, tal como citados nos parágrafos anteriores, também sopraram em épocas posteriores, ora com conquistas militares, ora com conquistas espirituais, ora conciliando os dois aspectos. E isso aconteceu em vários lugares e momentos, tal como na Península Ibérica.

Após a independência de Portugal no século XII até as últimas conquistas territoriais contra os mouros e também contra o reino de Castela, Portugal fortaleceu suas instituições, visando algo grandioso que - menos de 4 séculos depois -, o tornaria um dos maiores impérios do mundo cristão. O império ultramarino português.

Oficialmente, muitos historiadores, entre eles o português Jaime Cortesão, afirmam que a conquista de Ceuta em 1415 no norte da África marcou o inicio da política ultramarina. A expedição a Ceuta tinha como meta criar um posto avançado na África Moura, para inibir futuras incursões contra o sul de Portugal, além também de tentar criar influência na região.

Os mesmos ventos que suavizavam o calor, ou aumentavam o frio no inverno, e que levaram os portugueses para o além-mar, também impulsionaram outros reinos a lançar-se nos mares da história. Um destes reinos fora o da Inglaterra que, do século XVII a meados do XX, dominou os mares do mundo e fez valer a sua própria vontade, seus próprios interesses através de sua marinha de guerra, ou como explica o pesquisador Igor Fuser em seu texto intitulado Mundo Britânico “(...) uma retórica em que o interesse econômico do lucro era igualado à preocupação estratégica com a segurança.” Isso pôde ser visto em vários lugares do mundo, como a conquista da América do Norte, ilhas do Caribe, Índia, cidades portos da China etc.


No século XIX, o conceito do livre comércio é a base dos interesses econômicos dos ingleses, que usaram a marinha mercante para propagar tal conceito, ou em muitos outros casos, usaram os canhões de sua marinha de guerra para valer tal ação. Esse novo arcabouço econômico ocidental, também fora copiado por outras nações, tais como: Alemanha, França, Bélgica, Itália, Rússia, Japão e Estados Unidos. Esta última entrou na “competição” direta e embalada pelo fortalecimento interno de sua economia pós-guerra civil e também pelo senso de pan-americanismo dos dirigentes do país que surgirá ao longo dos séculos XIX e XX.

O primeiro momento da história, quando vimos os Estados Unidos usarem como pano de fundo o conceito do livre comercio em sua empreitada imperialista e também como potência mundial, fora em 1853, quando enviaram uma expedição “diplomática” ao Japão, composta por navios militares. Quando os diálogos diplomáticos cessaram por parte do Japão, os Estados Unidos colocaram em prática a outra face da moeda, a diplomacia dos canhões da marinha de guerra.

Não houve um conflito armado propriamente dito, mais houve uma tensão muito grande no ar e fez, que o “bom senso” dos japoneses viesse à tona, dando inicio à modernização do país com acordos comerciais. Assim, os produtos norte-americanos começaram a entrar no Japão.

Tal como uma frota americana singrou os oceanos rumo ao Japão no século XIX, as atuais frotas americanas singram os mares do nosso mundo contemporâneo protegendo os interesses econômicos e estratégicos de seu país, tal como acontecera com a Inglaterra no passado. Entre estas frotas está novíssima 4ª frota com base no sul da Flórida (a mesma Frota já fora criada durante a 2ª Guerra Mundial em detrimento aos aspectos daquele conflito) que percorrera toda a América central, Caribe e América do sul.

De acordo com a marinha norte-americana, esta armada tem como principais objetivos o caráter humanitário e não intimidar os países supostamente amigos nas ditas regiões do continente americano. No mês passado, o navio USS KEARSARGE, cuja bandeira era da 4ª frota, fez operações humanitárias no Caribe, em especial no Haiti.





Contudo, quando houve o anúncio da criação desta nova frota, a intelectualidade brasileira ficou dividida. Uns acreditavam que era uma afronta do governo norte-americano em criar uma nova armada para fornecer ‘ajuda humanitária” a países que são estados soberanos, eleitos pelo voto e que este acontecimento poderia ser o inicio de uma maior pressão sobre a América Latina.

Outros não deram muita importância, por acharem que a mesma América latina não é um risco eminente para a política externa norte-americana, já que há outros conflitos no mundo que pedem mais atenção e que levariam tempo para terminar.

Acredito que ambas as correntes estejam certas em pensar naquilo que acreditam, mas precisamos ter um olhar mais cético para os acontecimentos que estão a nossa volta. Não podemos deixar de pensar, que quando houver um novo amanhã, haverá um novo problema batendo nossa porta, em nossas fronteiras. A história é cíclica; ao longo de mais 5.000 anos, se repete...e se repete...e se repete até criar novas variáveis para velhas fórmulas.

Um bom exemplo disso é a lei NSS-2002 criada por George W. Bush filho após o ataque de 11 de setembro, que permitiu ao governo norte-americano iniciar em qualquer parte do globo conflitos armados a fim de eliminar qualquer suposta ameaça contra os Estados Unidos e levar a democracia a estes lugares. O que supostamente pode acontecer com os países da América Latina com a criação da 4ª frota. Basta um comando das pessoas certas dentro do poder americano para mudar de foco da política externa.




Outro fator que não podemos esquecer é o status quo, sempre o ponto principal de uma nação (seja de qualquer época). Como podemos notar nos dias atuais, o principal império está sofrendo problemas em suas estruturas. Assim, o status quo precisa ser mantido a qualquer custo para contra-balancear os acontecimentos nos últimos 7 anos na política externa e interna deste país. A criação de uma nova frota é uma destas formas para a dita manutenção.

Não seria errado pensar que, tal como fizeram os antigos impérios e principais nações do mundo ocidental do passado, isto é, atacar primeiro, perguntar depois, os Estados Unidos podem fazer o mesmo, ou melhor, já o fizeram (Japão, Afeganistão e Iraque) e podem repetir a dose. Portanto, a questão não é ser radical com os fatos existentes, mas sim lembrarmos da nossa história ocidental, nosso maior legado.

* Alexandre de Souza Costa é historiador.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Quem deveria "tomar bomba"?

Nos últimos 14 anos, o Ministério da Educação defendeu como uma das bases para a política de ensino a entrada de todas as crianças de 7 anos na escola. O Brasil chegou ao índice de 98%, bandeira levantada em nome de uma suposta eficiência de planejamento e de política pública consistente. A estatística foi repetida a esmo por aqueles que defendiam a postura governamental, apoiada em referenciais de organismos internacionais com o olho nas verbas destas mesmas instituições.

No final de novembro, um documento da UNESCO colocou em dúvida a eficácia de gestões marcadas pela quantidade de indivíduos nas unidades de ensino, mas que apenas engatinha quando necessita de ações que elevem a qualidade da educação brasileira. O Relatório Global de Monitoramento de Educação para Todos insere o Brasil entre os países com maiores índices de repetência. O país está à frente do Suriname, do Nepal e de 12 países africanos.

Traduzindo: as escolas brasileiras reprovam um em cada quatro alunos do 1º ano do Ensino Fundamental. O documento da UNESCO, que focalizou as atividades até o 5º ano (antiga quarta série), indica que 20% das crianças matriculadas abandonam a escola nesta fase. Apenas este dado coloca em xeque a pregação dogmática do Ministério da Educação, que se orgulha em dizer que as crianças estão na escola. Aprendendo o quê? Recebendo qual tratamento? Elas permanecem nas unidades de ensino?

No Índice de Desenvolvimento da Educação, o desempenho também levaria a política educacional para a recuperação de final de ano. O índice cruza informações sobre acesso e qualidade e classifica o Brasil na 80º colocação, quatro a menos se compararmos com a avaliação anterior.

Além disso, os dados da UNESCO indicam que a ladainha de todas as crianças na escola soa, no mínimo, discutível. O Brasil é o único país da América Latina com mais de 500 mil crianças sem estudar, mesmo patamar de países como Senegal e Iraque. Precisamente, 597 mil. A lista tem 17 nações. A UNESCO avaliou 125 países. No quesito reprovação no 1º ano, o Brasil ocupa a 116º posição. Em outras palavras, as escolas reprovam 27 em cada 100 estudantes. O índice nacional supera a média da África abaixo do Saara, que apresenta os piores indicadores sócio-econômicos do planeta.

Diante dos números, aparece a questão: de quem é a responsabilidade? É fácil apontar as vítimas: as crianças, incapazes de perceber as deficiências do sistema de ensino, mas com a sensação de culpa diante do dedo inquisidor de colegas e, por vezes, a própria família. Isso sem falar de professores e instituições escolares, que se eximem de vestir a carapuça de carrascos.

A discussão sobre o papel (ou o fracasso) da escola brasileira gravita em torno de questões pontuais, assim como os projetos (ou soluções milagrosas) propostos pelos gestores públicos. Quando não se partidariza o debate, percebe-se a aplicação de modelos estrangeiros que mais parecem versões franksteinianas do original.

Um exemplo é a Progressão Continuada, alvo de críticas excessivas por parte de educadores, mídia e políticos, que a associam à perpetuação do mau desempenho do aluno nas avaliações estaduais, nacionais e internacionais. Confunde-se o modelo com aprovação automática. Usam-se exemplos de crianças que chegam ao 9º ano (antiga 8º série) semi-analfabetas como símbolos do fracasso.

Na verdade, trata-se de uma forma oportunista de não entrar na falta de planejamento de políticas públicas de educação, o que inclui colocar a culpa no sistema, despersonalizado e generalizante. A Progressão é apenas mais um modelo copiado do exterior, de países que se desenvolveram no setor e viraram clichês de sucesso como Coréia do Sul, Espanha e Irlanda. Assim, os gestores ignoram a necessidade de infra-estrutura para a aplicação de projetos.

Neste sentido, há problemas de remuneração e capacitação de docentes, livros didáticos por vezes ultrapassados e preconceituosos, unidades escolares com atraso tecnológico e planos e metas com prazo de validade até a próxima eleição. É a visão de que a escola pública é de todos e não pertence a ninguém.

O triste deste cenário é que o problema não tem caráter financeiro, embora o país aplique menos do que o recomendado em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Falta continuidade e perspectiva de que organizar a educação significa um processo de longo prazo, de um quarto de século (pelo menos!), com reconhecimento discutível e capacidade de mensuração de resultados em parte abstrata. Não é somente uma questão de notas, boletins e passar de ano. A política educacional, ao reproduzir este olhar, mostra que não aprendeu o que tanto prega para as salas de aula.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A História se repete – Afeganistão, o começo do fim

Por Alexandre de Souza Costa*


Os bárbaros estão às portas do império, dois grandes rios (Reno e Danúbio) os separam de sua barbárie e da dita civilidade ocidental da época. Os rios são transpostos, o império é invadido, atacado, os antigos valores culturais são assimilados pelos invasores e surgem novas leituras para estes valores. Roma está em chamas! O império cai!

Os Estados Unidos estão cercados por dois grandes oceanos (Atlântico e Pacifico), levas e mais levas de estrangeiros (imigrantes – vietnamitas, brasileiros, árabes e etc.) entram no país, muitos americanos os chamam de bárbaros (tal como os romanos chamavam os Vândalos, Godos e etc.). Novos valores estão sendo criados. A cultura é dinâmica, está sempre se adaptando às novas realidades de cada sociedade.

Na manhã do dia 11 de setembro de 2001, as bordas das fronteiras são invadidas, o coração do império é atacado. New York está em chamas! O império começa a ruir!

Na Roma Antiga, fortes eram criados ao longo de suas fronteiras para criar um perímetro defensível contra os bárbaros, nações eram invadidas em nome da manutenção da vida romana. Os fortes americanos estão ao longo de suas fronteiras internacionais (Kuwait, Colômbia, Japão, Alemanha etc.).

Uma represália contra os ataques de 11 de setembro era necessária. O Afeganistão (país que faz fronteira com o Irã e o Paquistão – países republicanos e islâmicos cuja forma de governo é centralizadora) é atacado, pois alojava a Al Qaeda (organização islâmica, que tinha declarado guerra santa contra aos Estados Unidos anos antes). Após seis anos e 1500 americanos mortos, o forte não está totalmente estabelecido, está frágil. As zonas de segurança não são totalmente seguras.

Vários muçulmanos (sunitas e xiitas) adentram ao país para fazer Jihad islâmica (guerra santa contra os inféis) contra os Estados Unidos e seus aliados. Paquistão e Irã são as portas de entrada para o conflito. Hoje, a dialética sobre este conflito e do Iraque são um dos assuntos mais importantes para a nova administração que assumirá o poder em janeiro de 2009 nos Estados Unidos.

Entretanto, a mesma dialética que é discutida nos meios intelectuais e/ou meios de segurança em todo o mundo, também foi discutida em 92 a.C., pelos senadores e militares romanos (intelectuais e segurança) quando após a derrota de um exército romano contra o império Parto (localizado no atual Irã, partes do Iraque e partes do Afeganistão) fez repensar a sua estratégia de conquistas naquela região e os fizeram ao longo dos próximos 200 anos.

Assim, tal como os romanos o fizeram há mais de 1800 anos, os americanos (com o seu novo presidente Obama) precisam analisar com cuidado qual será o próximo passo a escolher. Caso contrário, a história pode se repetir novamente, ou seja, 200 anos de conflitos, e as fundações para o inicio de declínio de um império. Ontem de Roma, hoje o Americano.

*Alexandre de Souza Costa é historiador.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma lágrima para Alfredo e Totó


Quando um homem abandona a própria terra e deixa para trás suas referências, as pessoas próximas e as lembranças, é possível que todo este passado seja enterrado a ponto de jamais deixar a sepultura, mesmo que o sujeito vivencie um instante de fraqueza? O que faz alguém largar uma vida e assumir uma nova identidade, ainda que mantenha o mesmo nome e local de nascimento?

Assisti, depois de muitos anos, pela segunda vez ao filme “Cinema Paradiso” (Itália/França, 1989), de Giuseppe Tornatore. O filme, em flashback a partir da memória de Salvatore, cineasta de sucesso em Roma, conta a relação entre o menino Totó (apelido de infância do protagonista) e Alfredo (Phillipe Noiret). Alfredo é projetista do único cinema da localidade de Giancaldo, em algum lugar da Itália no pós-Segunda Guerra.

"Cinema Paradiso" ganhou o Oscar de melhor estrangeiro e o Globo de Ouro em 1990, além do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, no ano anterior. Trata-se de uma das melhores homenagens ao cinema, carta de amor à tela branca em um local escuro.
A sala de projeção é o pano de fundo para os personagens de um lugar onde ver filmes é a única atração além das missas. Há o padre que obriga Alfredo a cortar cenas de beijo. O sujeito que chora e decora diálogos inteiros das histórias. O espectador que vai ao cinema para dormir e roncar. É no cinema que acontecem as primeiras paixões, as discussões em família, as travessuras das crianças e os primeiros desejos pelo sexo oposto a partir da ficção.
Os relacionamentos sociais da pequena cidade que sobreviveu à guerra, mas que sofre para se reerguer diante da miséria econômica, auxiliam na compreensão de uma história sobre amizade. Totó, um menino de nove anos apaixonado por cinema, e Alfredo, o projetista com mais de 50, ranzinza, porém generoso.
"Cinema Paradiso" é um tributo ao contato humano, no sentido mais puro e descompromissado, se é possível localizarmos exceções. Em tempos de amizades líquidas, fugazes, o filme expõe como dois sujeitos – de faixas etárias distantes – conseguem ser cúmplices e se abrem para a troca de experiências e o diálogo, dispostos a compreender e respeitar o que o outro sente e tem a dizer.


A amizade entre os dois personagens não se comprova somente quando a sala de projeção se incendeia e o menino salva Alfredo. É a relação de confiança. É abdicar de uma posição em relação ao outro, sabendo que aquele necessita de apoio para não fracassar numa nova tarefa. Salvatore, por exemplo, herda a função de projetista até se encaminhar para o serviço militar no final da adolescência. O trabalho se dá por paixão, mas também pelo senso de coletividade, de continuidade ao que é comum a todos.
A cumplicidade de ambos é cristalina nas confidências, no apoio ao primeiro amor de Salvatore, aparentemente impossível diante de posições sociais diferentes. A garota, filha de um diretor de banco. Ele, um jovem que perdeu o pai na guerra e projetista daquela sala de cinema, resistente à “modernidade”.
A amizade precisa ser testada? Qual é o momento da generosidade absoluta? É preciso se anular para que o outro avance, atinja seus objetivos e concretize sonhos? Talvez isso se evidencie no ponto em que Salvatore – sem perspectivas econômicas e desiludido amorosamente – resolve seguir para Roma. É quando Alfredo se anula, assassina simbolicamente um filho adotado, mas determina que Totó jamais retorne àquela localidade, àquela terra que – embora ponto de origem – estaria amaldiçoada pelo fim em si mesma.
Duas tristes observações: o garoto Salvatore Cascio, que interpreta Totó quando criança, se tornou mais um caso de sucesso mirim da indústria cinematográfica que desapareceu com o peso da idade. Este foi seu único papel marcante. O ator Phillipe Noiret, também conhecido pela atuação em O Carteiro e O Poeta, faleceu de câncer ao 76 anos, em novembro de 2006. Noiret trabalhou em 125 filmes.


E um ponto a se notar: a trilha de Ennio Morricone e Andrea Morricone, completamente instrumental, é poesia em tempos de sofrimento. A música incidental – hoje clássica - nos conduz ao limite da fábula, no tom da ingenuidade (ou seria simplicidade?) entre os personagens.

Depois de quase 20 anos, "Cinema Paradiso" ainda é obra-prima pelo amor ao cinema, pela delicadeza sonora e, principalmente, pela crença na capacidade humana de, eventualmente, se interessar e se importar pelo outro, que merece as lágrimas ou a garganta que engole a seco de muitos espectadores.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O espelho de Batman


A indicação póstuma do ator Heath Ledger para o Globo de Ouro – visto como a prévia do Oscar – deverá impulsionar as vendas de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (Batman, The Dark Knight), filme recém-chegado ao mercado de DVD. O filme, evidentemente, se tornou mais visível para o público que não acompanha histórias em quadrinhos (HQs) em função do falecimento do ator em janeiro deste ano.

Dirigido por Christopher Nolan, O Cavaleiro das Trevas é, acima da tragédia pessoal do intérprete do Coringa, o melhor filme da franquia. A história, além de ser a que mais se aproxima do universo dos quadrinhos, consegue obter o maior grau de profundidade do herói e da relação doentia que ele mantém com seu maior adversário.

Batman, pela segunda vez interpretado por Christian Bale, talvez seja o mais humano dos sujeitos de capa e cueca por cima da calça, para utilizar um clichê do gênero. Uns diriam que pela ausência de super-poderes. Outros afirmariam que se deve ao fato de viver numa cidade onde a noite é personagem das tramas.



A impressão é que o homem-morcego manifesta nas próprias dúvidas e nas atitudes as contradições presentes no público que o acompanha e, por vezes, se espelha nele. É a ética própria de alguém que cria e segue regras próprias, mas não abdica do sistema existente. O comportamento indica um sujeito incapaz de lidar com o passado, de abstrair os momentos de ruptura – essencialmente a morte dos pais (o que pode gerar uma leitura metafórica) – no momento em que toma para si a tarefa de executar um trabalho com ausência quase total de reconhecimento.

No filme, o Coringa de Ledger é demasiado diferente daquele interpretado por Jack Nicholson, com alto teor de sarcasmo. O Coringa aparece em O Cavaleiro da Trevas na sua forma mais doentia, esquizóide. Há a ironia, porém acompanhada pela agressividade física, pela violência definitiva contra uma vítima qualquer, seja um dos comparsas, seja um cidadão de Gotham City.

O grande ponto do filme é a relação umbilical entre ambos. Batman e Coringa funcionam e sobrevivem como se estivessem diante de um espelho distorcido, como aqueles de antigos parques de diversões. Ali, você se vê de forma genuína, mas impura, passível de rejeição e atração. Combinadas, são paralisantes, entorpecentes.

Batman e Coringa, dentro de uma narrativa acelerada em um cenário sombrio como nas histórias impressas, manipulam os demais personagens com o objetivo de controlar e subjulgar um ao outro. A justificativa seria a justiça ou o oposto – dependendo de quem vê -, porém com a intenção eliminar aquilo que mais abomina em si. O lado incômodo de quem deseja ser completo e absoluto sobre o próprio comportamento.

O filme traz no elenco de apoio interpretações consistentes, como Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Odlman (comissário Jim Gordon) e Aaron Eckhart, excelente como promotor Harvey Dent, que se transforma em Duas Caras. É claro que tais personagens agem da forma habitual dos filmes blockbusters, no sentido maniqueísta de narrativa. Só que atendem ao que foi proposto: servir de escada para que Batman e Coringa conduzissem a trama.

A indicação de Heath Ledger soa como justa, apesar de sempre abrir a brecha para venenosa perspectiva de que a morte do ator facilitou o processo de reconhecimento. Um ator que ganhava maturidade cênica.



O que importa não são os prêmios que possam jorrar nos próximos meses ou o caminhão de dinheiro fruto da bilheteria de cinema, do mercado de DVD e da indústria dos licenciamentos. Vale a sensação de que a adaptação de HQs para o cinema – com filmes previstos até 2012 para vários personagens – adquire certa solidez, com a chance de abandonar os roteiros generalizantes e imbecilizantes.
No caso de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, o herói e o vilão (ou anti-herói), papéis ocupados por ambos os personagens, retratam a necessidade do ser humano de se destruir e levar consigo aqueles que se aproximam, quaisquer que sejam os interesses. Batman e Coringa se respeitam, se detestam, se realimentam e, por isso, se refletem!

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OBS.: A proposta é escrever, eventualmente, sobre produtos culturais (filmes, livros, peças etc.) que sejam agradáveis e que me provocaram a reflexão. Não serão exatamente lançamentos. Por vezes, obras que mereçam ser novamente apreciadas.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Os trilhos e o borracheiro

Nota publicada na seção BLOG NEWS, no site do jornal Boqueirão (Santos/SP), em 12 de dezembro de 2008. www.boqnews.com

Um posto de gasolina na rua João Pessoa, no centro de Santos, arrumou uma nova forma de faturar no final de semana: o serviço improvisado de borracharia. O motivo é o número de veículos com pneus furados ou rasgados que vêm do porto. Na linha férrea que cruza a faixa portuária, antes da entrada para a rua João Pessoa, há um desnível entre os trilhos e os paralelepípedos. Os trilhos se transformaram em navalhas por causa das obras no local. No último final de semana, uma dúzia de carros procurou o posto, que fica a quatro quadras da faixa portuária. Um dos veículos teve dois pneus rasgados. A fraca iluminação colabora para que os motoristas não enxerguem o desnível na pista. Para quem vão reclamar?

As árvores sumiram!

Nota publicada na seção BLOG NEWS, no site do jornal Boqueirão (Santos/SP), em 12 de dezembro de 2008. www.boqnews.com

O que deveria ser um projeto de preservação ambiental se tornou um exemplo de falta de cidadania. Trinta e quatro árvores, entre quaresmeiras e ipês-amarelos, foram plantadas nas imediações de uma escola municipal, no Dique da Vila Gilda, em Santos. O objetivo era contribuir para uma mudança no cenário urbano em um bairro com problemas de infra-estrutura. Um mês depois, todas as árvores desapareceram, antes que a Prefeitura instalasse as grades de proteção. Algumas das quaresmeiras e ipês podem ser vistas em quintais do bairro.

Estacionamento ao ar livre

Nota publicada na seção BLOG NEWS, no site do jornal Boqueirão (Santos/SP) em 12 de dezembro de 2008. www.boqnews.com

Os guardadores de carro, presentes em diversos pontos da cidade, como constatou este jornal em reportagem de capa, administram seus negócios com visão empresarial. Muitos deles atuam de olho na concorrência, legalizada ou não. É o caso dos guardadores que ficam nos arredores dos clubes da Ponta da Praia, na orla de Santos. O preço é fixo: R$ 4,00, idêntico ao dos estacionamentos. Com a “vantagem” de não cobrar por hora. Em compensação, exigem pelo menos 50% do valor adiantado. É a garantia de sucesso do “negócio”.